Em julho de 2026, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) efetuaram a prisão de 49.571 pessoas, número que representa o maior volume mensal desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. Os dados indicam um aumento de aproximadamente 15% em relação ao total registrado em junho e um crescimento de cerca de 70% em comparação com fevereiro do mesmo ano. Essas informações foram obtidas a partir de dados oficiais fornecidos pelo ICE ao Deportation Data Project, uma iniciativa conjunta da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e analisadas pela agência de notícias Associated Press.
No mês anterior à posse de Trump em seu segundo mandato, em janeiro de 2025, as prisões mensais estavam pouco acima de 8.000, número que incluía principalmente imigrantes transferidos de prisões e cadeias estaduais ou municipais para o ICE, com o objetivo de removê-los do país. Durante o primeiro ano do segundo mandato do presidente, houve uma flexibilização nas restrições sobre os locais e os perfis dos indivíduos que poderiam ser alvo das ações dos agentes, o que contribuiu para o aumento progressivo das detenções. Em dezembro de 2025, as prisões mensais já ultrapassavam 40.000.
Após dois tiroteios fatais em Minnesota, ocorridos em janeiro de 2026, que geraram protestos e críticas de legisladores democratas, o número de prisões diminuiu em fevereiro. No entanto, após um período de estabilidade, as detenções voltaram a crescer em junho e alcançaram seu pico em julho. Cerca de 20.000 dessas prisões foram realizadas nos estados do Texas e da Flórida, ambos participantes de acordos de cooperação com o ICE conhecidos como acordos 287(g). Esses acordos permitem que as forças policiais locais atuem como extensões da agência federal na aplicação das leis de imigração.
O aumento nas operações de prisão também está associado a uma expansão no quadro de funcionários do ICE, que contratou aproximadamente 12.000 agentes e oficiais adicionais no ano anterior. Essa ampliação da força de trabalho possibilitou uma intensificação das ações de fiscalização e detenção em todo o país.
Os dados refletem uma política de imigração mais rigorosa e uma maior colaboração entre autoridades federais e locais em estados estratégicos. A concentração das prisões em Texas e Flórida evidencia a importância dessas regiões na estratégia de controle migratório adotada pelo governo.
Analisando o cenário, o crescimento expressivo no número de detenções pode impactar diretamente as comunidades imigrantes, gerando debates sobre direitos humanos e políticas migratórias. Além disso, a intensificação das operações pode influenciar a dinâmica política interna, especialmente em estados com forte presença de imigrantes.
Para os próximos meses, espera-se que o ICE mantenha ou até aumente o ritmo das prisões, especialmente se os acordos 287(g) forem expandidos para outras regiões. A resposta das autoridades locais e da sociedade civil será determinante para o desenvolvimento das políticas migratórias e para o equilíbrio entre segurança e direitos individuais.
Em resumo, o aumento nas prisões de imigrantes nos Estados Unidos em julho de 2026 reflete uma política de imigração mais agressiva, com maior cooperação entre autoridades federais e locais, e pode ter implicações significativas tanto para as comunidades afetadas quanto para o cenário político nacional.