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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Alemanha acusa Rússia de ataque com drones no aeroporto de Leipzig

Alemanha acusa oficialmente a Rússia pelo ataque com drones no aeroporto de Leipzig em agosto, anunciando fechamento de consulado e medidas contra espionagem. OTAN e UE apoiam Berlim, enquanto Moscou promete retaliação. Incidente ocorre em meio a tensões políticas internas na Alemanha.

Alemanha acusa Rússia de ataque com drones no aeroporto de Leipzig

O governo alemão responsabilizou oficialmente a Rússia pelo ataque com drones ocorrido no aeroporto de Leipzig/Halle, no leste da Alemanha, em 4 de agosto de 2026. Na ocasião, um drone carregando um dispositivo explosivo foi encontrado próximo a aviões de carga ucranianos, mas não chegou a explodir devido a uma falha no detonador. Investigações indicam que um segundo drone teria colidido com uma aeronave de carga nas proximidades, e um terceiro drone foi localizado perto do aeroporto dez dias após o incidente.

O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, afirmou que o ataque segue o padrão conhecido das operações híbridas russas na Europa e alertou que a Alemanha pode ser alvo de novos ataques. Em coletiva de imprensa em Berlim, o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, anunciou medidas duras contra a Rússia, incluindo o fechamento do consulado russo em Bonn e o encerramento do contrato da Casa Russa em Berlim, local apontado por observadores como centro de espionagem e propaganda.

Além disso, Wadephul anunciou o endurecimento dos controles de entrada para cidadãos russos e prometeu intensificar a pressão sobre a frota fantasma russa, composta por navios-tanque antigos usados para burlar sanções ocidentais desde a invasão da Ucrânia em 2022. O embaixador russo em Berlim foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores para prestar esclarecimentos.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou as acusações como "absurdas" e prometeu uma resposta em "espelho" às medidas alemãs. A embaixada russa em Berlim qualificou as ações como uma "escalada sem precedentes" nas relações bilaterais, acusando Berlim de patrocinar terrorismo devido ao apoio militar e econômico à Ucrânia.

Leipzig/Halle é um importante centro logístico usado pelas forças armadas alemãs, aliados da OTAN e pela Antonov Airlines da Ucrânia para transporte de cargas militares. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, manifestou total solidariedade à Alemanha e apoiou as medidas adotadas. A questão também foi pauta em reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciando a preparação de novas sanções contra Moscou.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou para a escalada de tensões na região, enquanto o premiê britânico, Andy Burnham, afirmou que as tentativas russas de minar a unidade ocidental são "fúteis e destinadas ao fracasso". A Alemanha tem registrado avistamentos de drones em aeroportos, instalações militares e industriais ao longo do último ano, e o governo reconhece que o país é alvo constante de guerra híbrida.

O chanceler Friedrich Merz reforçou o compromisso com a Ucrânia e advertiu que os responsáveis por atos hostis contra a Alemanha pagarão um preço. No entanto, parlamentares da coalizão governista consideram as medidas insuficientes diante da ameaça russa. O episódio ocorre em um momento delicado para o governo, com eleições estaduais em Saxônia-Anhalt que podem fortalecer a extrema-direita, que defende a reaproximação com Moscou e o fim do apoio a Kiev.

Paralelamente, a polícia alemã investiga a descoberta de dispositivos explosivos improvisados em uma subestação elétrica no estado de Brandemburgo, que causaram um apagão temporário. Ainda não há informações sobre os responsáveis pelo ato. O incidente reforça a preocupação com a segurança interna diante do aumento das tensões geopolíticas na região.