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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Alemanha enfrenta risco de interrupção no fornecimento de petróleo via oleoduto Druzhba

Moradores de Schwedt, Alemanha, temem interrupção no fornecimento de petróleo após Rússia suspender trânsito de óleo cazaque pelo oleoduto Druzhba, afetando refinaria local e abastecimento regional.

Alemanha enfrenta risco de interrupção no fornecimento de petróleo via oleoduto Druzhba

Moradores da cidade de Schwedt, localizada no leste da Alemanha, expressam preocupação com possíveis interrupções no abastecimento de petróleo que podem afetar a refinaria local, considerada vital para o fornecimento de combustível na região. A refinaria PCK em Schwedt é responsável por cerca de 90% do combustível consumido em Berlim e no estado de Brandenburg. Historicamente, a unidade dependia do petróleo russo transportado pelo oleoduto Druzhba, mas em 2023 passou a receber petróleo do Cazaquistão após a proibição imposta por Berlim à importação de petróleo russo via oleoduto.

Recentemente, o vice-primeiro-ministro russo Aleksandr Novak anunciou a suspensão do trânsito de petróleo cazaque pelo oleoduto Druzhba a partir de 1º de maio, alegando limitações técnicas na capacidade do oleoduto. Essa decisão gerou apreensão entre os residentes locais, que temem um retrocesso econômico e social, comparando a situação a um retorno ao século XIX, caso o fornecimento de combustível seja interrompido. Além disso, há receios de que a alta nos preços dos combustíveis possa provocar instabilidade social.

As autoridades do Cazaquistão informaram estar cientes da situação e indicaram planos para redirecionar o transporte do petróleo por meio dos portos russos no Mar Báltico e no Mar Negro. No entanto, essa alternativa apresenta limitações logísticas. Segundo Danny Ruthenburg, membro do conselho da refinaria, a infraestrutura do porto de Rostock não suporta um volume suficiente para manter a produção em plena capacidade, o que poderia reduzir a operação da refinaria para 65% a 70%. Essa redução implicaria no fechamento de algumas linhas de produção e, consequentemente, em cortes de empregos.

O ministro de Energia do Cazaquistão, Yerlan Akkenzhenov, relacionou a alteração no transporte do petróleo às recentes ofensivas militares ucranianas contra infraestruturas russas, que têm incluído ataques com drones a refinarias e centros de trânsito de petróleo. Um exemplo recente foi o ataque a um centro operado pelo Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC) no porto russo de Novorossiysk, utilizado para escoar petróleo cazaque para a Europa e Ásia.

O contexto geopolítico envolvendo a Rússia, Ucrânia e Cazaquistão tem impactado diretamente as rotas de abastecimento energético para a Alemanha, evidenciando a vulnerabilidade das cadeias logísticas que dependem de infraestruturas em regiões afetadas por conflitos. A suspensão do trânsito pelo oleoduto Druzhba representa um desafio significativo para a segurança energética da Alemanha, especialmente para a região de Berlim e Brandenburg, que dependem majoritariamente da refinaria de Schwedt.

A necessidade de redirecionar o transporte de petróleo para rotas marítimas implica em custos adicionais e limitações operacionais, o que pode resultar em aumento dos preços dos combustíveis e redução da oferta. A possibilidade de redução da capacidade da refinaria também levanta preocupações sobre o impacto econômico local, com potenciais demissões e efeitos negativos na indústria regional.

Em termos estratégicos, a situação destaca a importância de diversificar as fontes e rotas de abastecimento energético para mitigar riscos decorrentes de instabilidades políticas e militares. Para a Alemanha, encontrar alternativas seguras e estáveis para o fornecimento de petróleo será crucial para garantir a continuidade do abastecimento e evitar impactos econômicos e sociais significativos.

A continuidade dos ataques ucranianos à infraestrutura russa pode prolongar as dificuldades no trânsito de petróleo, exigindo respostas coordenadas entre os países envolvidos para assegurar o fluxo energético. A situação também reforça a complexidade das interdependências energéticas na Europa, especialmente em um contexto de conflito e sanções econômicas.

Assim, os próximos passos provavelmente incluirão negociações diplomáticas para restabelecer ou substituir rotas de transporte, investimentos em infraestrutura portuária e logística, além de possíveis medidas para aumentar a resiliência do sistema energético alemão diante de crises externas. O monitoramento contínuo dos desdobramentos geopolíticos será essencial para ajustar estratégias e minimizar os impactos sobre o abastecimento e a economia local.