O embaixador alemão em Israel, Steffen Seibert, afirmou que as relações especiais entre Alemanha e Israel permanecerão firmes, mesmo diante dos recentes conflitos em Gaza. Em entrevista concedida pouco antes de encerrar seu mandato de quatro anos, Seibert destacou que a parceria entre os dois países é baseada em valores democráticos compartilhados e interesses estratégicos comuns, não apenas em razões históricas relacionadas ao Holocausto.
Seibert rejeitou a ideia de que a política alemã em relação a Israel seja guiada por um sentimento de culpa decorrente do Holocausto, explicando que a memória do Shoah serve como um guia ético para a Alemanha, que deve extrair lições daquele período sombrio para fundamentar sua atuação internacional. Ele ressaltou que a relação especial entre os dois países considera as fronteiras anteriores a 1967, e que a presença israelense na Cisjordânia é vista por Berlim como uma violação do direito internacional.
Sobre o conflito em Gaza, o embaixador classificou a resposta militar israelense como "inevitável e lógica" diante dos ataques do Hamas em outubro de 2023. No entanto, ele pontuou que existem questionamentos sobre a condução e a duração da operação militar. Seibert atribuiu a maior responsabilidade pela situação humanitária em Gaza ao grupo Hamas, destacando a complexidade do cenário.
A Alemanha, que impôs um embargo parcial de armas a Israel em agosto de 2025 devido à ofensiva em Gaza, optou por não apoiar Israel no processo judicial na Corte Internacional de Justiça relacionado a acusações de genocídio. Segundo Seibert, essa decisão é uma medida tática diante das próprias acusações enfrentadas por Berlim em razão de seu apoio a Israel, refletindo uma avaliação dinâmica conforme o conflito se desenrola.
Quanto ao conflito envolvendo o Irã, o diplomata considerou compreensível a campanha militar liderada por Israel e Estados Unidos, mas enfatizou que a continuação dos combates dificilmente trará resultados significativos. Para ele, é o momento de transformar ganhos militares em soluções políticas que possam estabilizar a região.
Durante seu mandato, Steffen Seibert aprendeu hebraico e expressou a intenção de continuar mantendo vínculos com Israel enquanto planeja a próxima fase de sua carreira. A relação entre Alemanha e Israel, apesar dos desafios recentes, permanece um pilar importante da política externa alemã, com um equilíbrio delicado entre apoio estratégico e respeito às normas internacionais.
A manutenção desses laços em meio a tensões regionais demonstra a complexidade das alianças internacionais, especialmente quando envolvem questões históricas profundas e conflitos contemporâneos. A postura alemã pode influenciar outras nações europeias a adotarem posições semelhantes, reforçando o diálogo diplomático e a busca por soluções políticas na região.
No cenário futuro, a Alemanha deverá continuar desempenhando um papel mediador, promovendo iniciativas que busquem a estabilidade no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com Israel. A evolução do conflito em Gaza e as tensões com o Irã serão determinantes para a definição das estratégias alemãs e europeias nos próximos anos, impactando não apenas a segurança regional, mas também as dinâmicas globais de alianças e comércio.