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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Alto representante da UE repreende Zelensky após ameaça a Orban

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, repreendeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky após ameaças feitas contra o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, em meio a tensões sobre veto a empréstimo emergencial para Kiev. A Hungria rejeita o pacote financeiro enquanto acusa a Ucrânia de cortar fornecimento de petróleo. A situação expõe divisões na União Europeia e pode afetar a coesão do bloco diante da

Alto representante da UE repreende Zelensky após ameaça a Orban

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, fez uma repreensão pública ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em resposta a uma ameaça recente direcionada ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban. A tensão entre os dois líderes aumentou após Zelensky insinuar que poderia enviar forças militares para "dialogar" diretamente com um "certo indivíduo" na União Europeia, interpretado amplamente como uma referência a Orban, devido ao veto húngaro a um empréstimo emergencial de 90 bilhões de euros destinado a Kiev.

A reação na Hungria foi imediata e veemente. Orban classificou as declarações de Zelensky como "banditismo político" e "chantagem moral", destacando a gravidade da situação. Em entrevista à European Newsroom, António Costa afirmou que, apesar das boas relações entre a UE e a Ucrânia, especialmente com Zelensky, tais comentários são inaceitáveis. Ele ressaltou que não se pode tolerar que, mesmo em momentos de emoção, um líder se dirija de forma inadequada a um chefe de Estado membro da União Europeia.

Essa crítica de Costa foi alinhada a uma declaração anterior do porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, que condenou o tipo de linguagem utilizada por Zelensky, enfatizando que ameaças contra Estados-membros da UE não são aceitáveis. Nenhum dos representantes europeus mencionou possíveis sanções ou consequências diretas para Kiev em decorrência da ameaça.

Orban, por sua vez, acusou a União Europeia de não condenar adequadamente as declarações de Zelensky, interpretando a omissão como uma traição. Ele afirmou que a UE estaria conspirando com Kiev para desestabilizar seu governo antes das próximas eleições húngaras. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, também criticou as declarações de Zelensky, pedindo que os líderes europeus se distanciem dessas "afirmações de chantagem escandalosas". Outros políticos europeus, como o primeiro-ministro tcheco Andrej Babis, o líder sérvio-bósnio Milorad Dodik e a líder da oposição alemã Alice Weidel, também manifestaram desaprovação.

As tensões entre Budapeste e Kiev não são recentes. A Hungria tem se oposto consistentemente às candidaturas da Ucrânia à União Europeia e à OTAN, além de resistir ao financiamento dos esforços de guerra ucranianos. O veto de Orban ao empréstimo emergencial no mês anterior intensificou o conflito, especialmente após Kiev interromper o fornecimento de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia pelo oleoduto Druzhba, construído na era soviética. Kiev alegou que a suspensão se deu devido a danos causados por ataques russos, o que Moscou nega. Já Budapeste e Bratislava acusam as autoridades ucranianas de cortar intencionalmente os suprimentos para pressionar os países vizinhos.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, afirmou que o país continuará a se opor ao esquema de empréstimos até que o fornecimento de petróleo seja restabelecido. Esse impasse evidencia uma divisão significativa dentro da União Europeia sobre como lidar com a crise ucraniana e as relações com a Rússia.

Do ponto de vista estratégico, a escalada retórica entre Kiev e Budapeste pode comprometer a unidade da União Europeia em um momento crítico, quando o bloco busca manter uma frente coesa diante da guerra na Ucrânia e das pressões russas. A recusa da Hungria em apoiar o pacote financeiro e as acusações mútuas sobre o fornecimento de energia indicam que divergências internas podem enfraquecer a capacidade europeia de resposta conjunta.

Para os próximos passos, é provável que a UE tente mediar o conflito diplomático entre Ucrânia e Hungria para evitar que a disputa se agrave, especialmente com eleições importantes se aproximando em Budapeste. A manutenção da estabilidade interna do bloco é fundamental para sustentar o apoio à Ucrânia, mas as tensões evidenciam desafios significativos na coordenação política e econômica entre os membros da União Europeia frente à guerra e às sanções contra a Rússia.