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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Após ameaça de Trump, G7 promete 100 milhões de barris; mas quanto é diesel?

A liberação será coordenada pela AIE ao longo de quatro meses, enquanto o G7 promete manter abertas as exportações entre seus membros. O anúncio, porém, ainda não dimensiona a oferta do combustível sob maior pressão.

Após ameaça de Trump, G7 promete 100 milhões de barris; mas quanto é diesel?

O G7 anunciou em 2 de outubro que seus membros e países parceiros coordenariam, pela Agência Internacional de Energia (AIE), a liberação de 100 milhões de barris em quatro meses. Uma parcela substancial de diesel deve ser liberada nos primeiros 20 dias. O comunicado, porém, não informa quantos dos 100 milhões de barris serão de diesel nem quanto virá na forma de petróleo bruto.

A distinção importa porque a pressão não é igual sobre todos os produtos. Segundo a AIE, as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio se recuperaram significativamente, enquanto os fluxos de combustíveis refinados continuavam severamente limitados. O petróleo bruto ainda precisa passar por uma refinaria para virar diesel; barris de diesel já podem atender à demanda por esse combustível. A agência também atribui parte da pressão sobre o diesel a ataques ucranianos contra refinarias russas.

O número anunciado tem outra referência importante. Em março, a AIE havia lançado uma ação coletiva para disponibilizar 400 milhões de barris de estoques de emergência. Até 2 de outubro, cerca de 325 milhões já haviam sido liberados, segundo a agência. O comunicado do G7 vincula o compromisso atual à implementação daquela ação e leva em conta compromissos já cumpridos. Por isso, os 100 milhões de barris não devem ser automaticamente somados aos 400 milhões como uma rodada inteiramente nova.

Enquanto os países discutiam estoques, havia também uma ameaça ao comércio do próprio diesel. Em 22 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter pedido uma proibição das exportações americanas do combustível. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo avaliava a viabilidade de uma restrição total ou parcial. Uma proibição deixaria compradores externos sem o diesel que receberiam dos Estados Unidos.

Um funcionário da Casa Branca disse à CBS que Trump conversou com Emmanuel Macron e outros líderes do G7 antes da reunião para negociar a liberação de estoques europeus. No dia do anúncio, Trump afirmou que a proibição nunca estivera realmente em consideração; uma caracterização diferente das declarações de setembro. Os relatos registram as conversas e as posições públicas, mas não estabelecem que a liberação de estoques tenha sido uma contrapartida para abandonar a restrição.

O comunicado final trata das duas frentes. Além da liberação coordenada, o G7 reafirmou o compromisso de evitar restrições às exportações de energia e produtos energéticos entre seus membros. Uma medida busca colocar estoques em circulação; a outra procura manter abertas as rotas comerciais pelas quais parte desse abastecimento chega aos compradores. Liberar combustível enquanto um integrante barra suas vendas externas reduziria o alcance prático da coordenação.

A promessa de diesel para os primeiros 20 dias dá urgência ao anúncio, e o G7 prevê discutir liberações adicionais desse combustível com a AIE. Seu peso para o abastecimento dependerá de quanto diesel, dentro dos 100 milhões de barris, chegará efetivamente ao mercado. Esse é o número que o comunicado ainda não fornece.