Na manhã de quinta-feira, o aeroporto internacional Diori Hamani, o maior de Níger, foi alvo de um ataque armado que resultou na morte de 35 pessoas. Entre as vítimas, estão 22 atacantes, 11 soldados e dois civis. O incidente ocorreu pouco depois das orações matinais, quando moradores da capital Niamey ouviram explosões e tiros próximos ao local.
O ataque foi reivindicado pelo grupo jihadista Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à Al-Qaeda. Este é o segundo ataque contra o aeroporto em menos de cinco meses; em janeiro, uma organização ligada ao Estado Islâmico também realizou um ataque na mesma instalação.
As forças de segurança de Níger conseguiram conter a violência por volta do meio da manhã e iniciaram uma ampla operação para capturar possíveis atacantes remanescentes. Até o momento, 20 suspeitos foram detidos e quatro feridos entre os agressores foram registrados. Uma grande quantidade de armamentos foi apreendida, incluindo lançadores RPG-7, rifles AK-47, explosivos, granadas, equipamentos de comunicação e milhares de munições.
Testemunhas relataram que moradores locais, armados com facões e bastões, tentaram ajudar na busca pelos invasores, que se misturaram à população para dificultar a captura. No entanto, as autoridades tentaram impedir a participação civil direta para evitar riscos adicionais.
O aeroporto Diori Hamani é uma instalação estratégica que serve tanto ao transporte civil quanto como base militar. Também abriga estruturas associadas à Aliança dos Estados do Sahel (AES), que reúne Níger, Mali e Burkina Faso. Todos esses países são governados por juntas militares que assumiram o poder em parte devido à incapacidade de conter a violência jihadista na região.
Em resposta ao ataque, a Comissão da União Africana condenou veementemente o ocorrido e elogiou a atuação das forças nigerinas, que conseguiram repelir a ofensiva e garantir a segurança do aeroporto.
Nos últimos meses, as autoridades de Níger intensificaram as medidas de segurança ao redor do aeroporto, demolindo bairros próximos considerados de alto risco e ampliando a cerca perimetral da instalação. Também foram instaladas mais de 350 câmeras de vigilância para monitoramento constante.
O governo militar de Níger, liderado por Abdourahamane Tiani, que está no poder há três anos, agradeceu o apoio da Rússia na defesa contra o ataque de janeiro e acusou, sem apresentar provas, os presidentes da França, Benin e Costa do Marfim de apoiar os responsáveis pelos ataques.
A persistência desses ataques demonstra a complexidade do combate ao extremismo na região do Sahel, onde grupos jihadistas continuam a desafiar as autoridades locais e internacionais. A segurança do aeroporto, ponto crucial para o transporte e operações militares, é vital para a estabilidade do país e da região.
A continuidade das ofensivas por grupos como o JNIM indica que Níger e seus parceiros regionais precisarão reforçar estratégias de defesa, inteligência e cooperação internacional para conter a escalada da violência. A situação também pode impactar as relações diplomáticas e a presença de atores externos, como a Rússia, que tem aumentado seu envolvimento na área.
Nos próximos meses, é provável que as forças de segurança intensifiquem as operações de busca e captura, além de ampliar medidas preventivas em áreas urbanas próximas a pontos estratégicos. A resposta do governo e a coordenação com países vizinhos serão determinantes para evitar novos ataques e garantir a segurança da população civil e das infraestruturas críticas.