A Ucrânia lançou um ataque maciço de drones contra Moscou e sua região metropolitana no último dia da eleição para a Duma, em 20 de setembro. A operação danificou a refinaria de petróleo de Moscou e edifícios residenciais, enquanto as autoridades regionais registraram inicialmente duas mortes; a cobertura do ataque relatou uma terceira morte posterior. O número de feridos permanece variável: o governador Andrey Vorobyov mencionou 20 pessoas atendidas e 15 hospitalizadas.
O ataque juntou dois campos de disputa que costumam correr em paralelo: a capacidade de atingir infraestrutura dentro da Rússia e a batalha política em torno da guerra. Volodymyr Zelenskyy afirmou que os ataques de longo alcance atingiram uma empresa relevante da indústria petrolífera e uma instalação logística. O dano confirmado à refinaria dá base concreta a essa leitura, embora a extensão total dos impactos e a atribuição operacional de cada alvo não estejam detalhadas publicamente.
Para Moscou, porém, o ponto central foi o calendário. Sergei Sobyanin afirmou que a operação buscava interromper a eleição e declarou que não conseguiu fazê-lo. Essa é uma interpretação russa sobre a intenção ucraniana, não um objetivo comprovado. Kyiv, por sua vez, apresentou a ação como parte da pressão sobre a estrutura que sustenta o esforço de guerra russo, sem confirmar que a votação estivesse entre seus alvos políticos.
A diferença importa porque um mesmo ataque pode ter efeitos práticos e simbólicos sem que um explique integralmente o outro. Atingir combustível e logística pode elevar os custos da guerra para a Rússia. Ocorrer no dia final da votação também torna a ofensiva visível para uma população chamada pelo Kremlin a tratar o voto como demonstração de apoio aos combatentes e às políticas do governo.
A eleição prosseguiu, e resultados preliminares divulgados no dia seguinte indicavam que o United Russia ficaria com 355 das 450 cadeiras da Duma. Isso limita a tese de uma interrupção imediata do processo eleitoral, mas não permite medir por si só se o ataque afetou a participação ou a percepção pública da segurança na capital.
A escala da operação também segue sujeita à narrativa de guerra. Sobyanin disse que mais de 1.600 drones foram abatidos ou interceptados desde sábado, dos quais 450 estariam em direção a Moscou. Os danos confirmados mostram que parte da defesa foi transposta, mas não permitem validar de forma independente a dimensão total anunciada pelas autoridades russas.
O episódio ocorreu enquanto a Ucrânia também sofria ataques russos. Autoridades de Kyiv relataram quatro mortos na região, entre eles três crianças. A simultaneidade reforça a lógica mais dura do conflito: os dois governos usam ataques de longo alcance para buscar efeito militar e moldar a percepção de que a guerra alcança, ou ameaça alcançar, a vida civil do adversário. Em Moscou, a operação não alterou o resultado preliminar da eleição, mas levou a guerra para um dos centros mais protegidos e politicamente simbólicos da Rússia.