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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Ataque aéreo atinge centro de reabilitação em Cabul durante o jantar, relata sobrevivente

Centro de reabilitação em Cabul foi atingido por ataque aéreo durante o Ramadã, deixando centenas de mortos e feridos. O incidente aumenta as tensões entre Paquistão e Afeganistão, com impacto humanitário e político na região.

Ataque aéreo atinge centro de reabilitação em Cabul durante o jantar, relata sobrevivente

Na noite de segunda-feira, um centro de tratamento para dependentes químicos em Cabul foi alvo de um ataque aéreo devastador, que deixou dezenas de mortos e feridos. O incidente ocorreu por volta das 21h, horário local, quando os pacientes estavam reunidos para a refeição do iftar, a quebra do jejum diário durante o mês sagrado do Ramadã. O local atingido, conhecido como Hospital de Tratamento de Dependência Omid, funcionava em uma antiga base militar que foi convertida em centro de reabilitação há cerca de uma década.

Equipes de resgate permaneceram no local durante a madrugada e o dia seguinte, retirando corpos dos escombros ainda fumegantes. O número oficial de vítimas ainda não foi confirmado, mas autoridades talibãs estimam que cerca de 400 pessoas tenham perdido a vida no ataque, o que o torna o episódio mais letal no contexto recente das tensões entre Paquistão e Afeganistão.

Entre os sobreviventes está Mohammad Shafee, um jovem paciente que relatou ter ouvido a explosão enquanto ajudava na cozinha. Ele descreveu o cenário como catastrófico, com a maioria dos colegas mortos ou feridos, e apenas cinco sobreviventes no refeitório. Médicos e funcionários também relataram que o centro foi atingido em três pontos distintos, enquanto muitos pacientes participavam da oração coletiva.

O ataque gerou cenas de desespero, com familiares aguardando notícias na entrada do hospital e equipes médicas tratando dezenas de feridos entre os destroços. Muitos corpos foram levados ao Departamento de Medicina Forense de Cabul, mas a identificação tem sido dificultada devido à gravidade dos ferimentos e à destruição causada pelas explosões.

As circunstâncias que motivaram o ataque ainda não estão claras. O governo do Paquistão negou que o hospital tenha sido alvo intencional, afirmando que os alvos eram instalações militares e infraestruturas ligadas a grupos terroristas. Por sua vez, o governo do Afeganistão acusa Islamabad de realizar ataques indiscriminados em território afegão.

O contexto das hostilidades entre os dois países envolve acusações mútuas de apoio a militantes que atuam em áreas fronteiriças. Desde o final de fevereiro, pelo menos seis unidades de saúde no Afeganistão foram afetadas por confrontos e ataques, segundo relatos de organismos internacionais que pedem contenção a ambas as partes.

O centro Omid, que já foi uma base militar usada por forças dos EUA e da OTAN durante a guerra contra o Talibã, passou a funcionar como unidade de reabilitação por volta de 2016. Após a retomada do poder pelo Talibã em 2021, o local continuou operando, mas com capacidade muito superior à projetada, chegando a abrigar até 5.000 pacientes em um espaço previsto para 2.000.

A superlotação reflete o problema crônico de dependência química no Afeganistão, que é um dos maiores produtores mundiais de ópio. Pacientes permanecem no centro por períodos que podem chegar a seis meses, e o governo talibã tem intensificado ações para recolher usuários das ruas das principais cidades.

Além do impacto humanitário imediato, o ataque gera preocupações sobre a escalada do conflito entre Paquistão e Afeganistão, que pode desestabilizar ainda mais a região. A destruição de um centro de saúde tão sensível pode agravar a crise social e dificultar o acesso a tratamentos essenciais para uma população já vulnerável.

Analistas indicam que o episódio pode levar a um aumento das tensões diplomáticas, com possibilidade de represálias e intensificação dos confrontos ao longo da fronteira. A comunidade internacional deverá acompanhar de perto os desdobramentos, buscando mediar o diálogo e evitar uma escalada maior do conflito. A recuperação do centro e o atendimento às vítimas serão desafios imediatos para o governo afegão, que enfrenta limitações estruturais e financeiras.

Em resumo, o ataque aéreo em Cabul representa um episódio grave dentro do quadro de instabilidade regional, com consequências humanitárias e políticas que podem repercutir nos próximos meses. A situação exige atenção e esforços coordenados para minimizar danos e buscar soluções pacíficas.