Um ataque aéreo realizado pelas forças paquistanesas atingiu um centro de tratamento para dependentes químicos na capital afegã, Cabul, resultando na morte de pelo menos 100 pessoas, conforme informações de fontes do laboratório forense local. O centro, conhecido como Hospital de Tratamento de Vício Omid, foi completamente destruído durante o bombardeio. Autoridades do Talibã afirmam que o número de vítimas pode ser significativamente maior, chegando a centenas, embora esses dados ainda não tenham sido confirmados de forma independente.
O Ministério da Saúde do Afeganistão informou que cerca de 2.000 pessoas estavam em tratamento no local no momento do ataque. Testemunhas relataram ouvir explosões intensas por volta das 20h50 (horário local) na segunda-feira, seguidas por sons de aeronaves e sistemas de defesa aérea. Familiares dos pacientes se reuniram nas proximidades do hospital, buscando informações sobre o destino de seus entes queridos.
O governo paquistanês negou que o centro tenha sido um alvo intencional, afirmando que as operações aéreas foram direcionadas exclusivamente a instalações militares e infraestruturas de apoio a grupos terroristas. Ainda assim, o Ministério da Informação do Paquistão classificou as alegações afegãs como distorções dos fatos, acusando o Afeganistão de abrigar militantes que realizam ataques em seu território.
A tensão entre os dois países voltou a crescer no mês passado, com o Paquistão acusando o Afeganistão de permitir que grupos insurgentes utilizem seu solo para lançar ataques transfronteiriços. O governo afegão, controlado pelo Talibã, nega essas acusações. Desde então, confrontos e bombardeios têm ocorrido em regiões fronteiriças, apesar de um acordo de cessar-fogo firmado em outubro do ano anterior.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) condenou o ataque, ressaltando a necessidade de desescalada imediata e respeito às leis internacionais que protegem civis em conflitos armados. Dados da Unama indicam que, entre 26 de fevereiro e 13 de março, pelo menos 75 pessoas morreram e 193 ficaram feridas em decorrência de combates transfronteiriços entre Afeganistão e Paquistão.
O local atingido pelo ataque aéreo era anteriormente uma base militar dos Estados Unidos e, após o retorno do Talibã ao poder em agosto de 2021, foi transformado em um centro de reabilitação para dependentes químicos, abrigando usuários de drogas capturados em toda a capital. As equipes de resgate continuaram as buscas por sobreviventes até a manhã seguinte, encontrando destroços espalhados, cobertores e calçados entre os escombros.
Em meio à escalada do conflito, a China tem atuado como mediadora, com o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, mantendo contato telefônico com seus homólogos do Afeganistão e do Paquistão. Pequim pediu a ambos os países que mantenham a calma, exerçam moderação e busquem negociações diretas para restaurar a paz o mais rápido possível.
Analistas apontam que o ataque ao centro de reabilitação em Cabul representa um agravamento significativo nas hostilidades entre Afeganistão e Paquistão, com potencial para aumentar ainda mais a instabilidade regional. A destruição de uma instalação civil e o elevado número de vítimas podem gerar repercussões diplomáticas e humanitárias, dificultando esforços para um cessar-fogo duradouro. A continuidade dos confrontos pode impactar negativamente a segurança nas fronteiras e a cooperação entre os países, além de agravar a crise humanitária no Afeganistão.
Para os próximos passos, é provável que a comunidade internacional intensifique apelos por investigações independentes e medidas para proteger civis, enquanto as partes envolvidas enfrentam pressão para retomar o diálogo. A mediação de atores externos, como a China, poderá ser fundamental para evitar uma escalada maior, embora o histórico de desconfiança entre os governos paquistanês e afegão represente um desafio considerável para a resolução do conflito.