No dia 7 de junho de 2026, um ataque com drone realizado por forças russas atingiu uma instalação de armazenamento de combustível nuclear usado nas proximidades da usina nuclear de Chornobyl, na Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy classificou o ataque como uma ação extremamente repreensível, ressaltando que não houve aumento nos níveis de radiação após o incidente. O local atingido abriga um edifício de recepção de combustível, situado a poucos metros de onde são armazenados grandes volumes de material nuclear, conforme informado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que recebeu informações diretamente da Ucrânia.
Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022, ataques com drones e mísseis têm sido frequentes contra cidades e infraestruturas ucranianas. Em fevereiro de 2025, houve um ataque semelhante, quando um drone Shahed danificou o arco de contenção sobre o reator de Chornobyl, que foi destruído durante o desastre nuclear de 1986.
Zelenskyy mencionou que o drone utilizado no ataque recente também seria do tipo Shahed, destacando a audácia crescente das ações russas, que já ultrapassam limites há muito tempo. A agência estatal ucraniana de energia atômica, Energoatom, informou que no momento do ataque não havia combustível nuclear usado armazenado no edifício atingido. O incêndio causado foi controlado rapidamente e não houve registro de feridos.
Até o momento, a Rússia não se pronunciou publicamente sobre o ataque à instalação localizada a aproximadamente 15 quilômetros da usina de Chornobyl, local do maior desastre nuclear da história. A AIEA anunciou que enviará uma equipe ao local para avaliar os danos e o impacto do ataque.
Além do incidente em Chornobyl, outras regiões da Ucrânia também foram alvo de ataques com drones russos no mesmo dia. Pelo menos duas pessoas morreram em ataques na região sul de Zaporizhia e na região central de Dnipropetrovsk. Um homem de 56 anos, motorista de minibus, foi morto em Zaporizhia, enquanto outro homem de 59 anos faleceu em Dnipropetrovsk. Além disso, um homem de 35 anos ficou ferido e houve danos em infraestruturas locais.
A Força Aérea da Ucrânia informou que, durante a noite, a Rússia lançou 236 drones contra o país, dos quais 215 foram interceptados pelas defesas ucranianas. Esses ataques ocorreram em meio a reuniões de líderes mundiais no Reino Unido, que discutem formas de aumentar a pressão sobre Moscou em relação à guerra que já dura quatro anos.
O presidente Zelenskyy tem previsto encontros com os líderes da França, Alemanha e Reino Unido para debater os próximos passos diante dos reveses militares sofridos pela Rússia. O grupo conhecido como E3, formado por essas nações europeias, tem sido um dos principais apoiadores da Ucrânia durante o conflito.
Na semana anterior, Zelenskyy enviou uma carta aberta ao presidente russo Vladimir Putin propondo uma reunião presencial e declarando estar disposto a um cessar-fogo total. No entanto, Putin recusou a proposta, afirmando que não vê sentido em um encontro neste momento.
A continuidade dos ataques a instalações próximas a locais sensíveis como Chornobyl representa um risco significativo para a segurança nuclear e ambiental na região. A resposta internacional, incluindo a inspeção da AIEA, será fundamental para monitorar possíveis impactos e evitar uma escalada que possa comprometer a estabilidade regional.
No cenário atual, a persistência dos ataques russos com drones indica uma estratégia de desgaste das capacidades ucranianas, enquanto a Ucrânia busca reforço diplomático e militar junto a seus aliados. A eficácia das defesas aéreas ucranianas, que conseguiram interceptar a maioria dos drones, será crucial para minimizar danos futuros. A situação exige atenção contínua para evitar que incidentes como o ocorrido em Chornobyl evoluam para crises de maior magnitude, especialmente no que diz respeito à segurança nuclear e à proteção da população civil.