Um ataque russo com drone atingiu em 25 de setembro o centro empresarial Inkom, em Kyiv, onde a Datagroup mantinha um centro de dados. Autoridades ucranianas informaram que quatro pessoas morreram no local. A instalação foi danificada, mas a empresa afirmou que preservou os dados dos clientes e manteve os serviços por meio de unidades de reserva.
O episódio mostra uma frente cada vez mais relevante da guerra: a disputa pela infraestrutura que mantém o país conectado. Centros de dados guardam e processam informações usadas por empresas, órgãos públicos e serviços digitais. Quando são atingidos, o efeito pode aparecer longe do prédio destruído, na forma de falhas de internet, dificuldades para trabalhar, estudar ou acessar serviços.
Após ataques na quarta-feira, cerca de 100 mil residências em Kyiv e nos arredores ficaram temporariamente sem internet, segundo autoridades ucranianas. Não houve, porém, um apagão nacional. Serhii Beskrestnov, assessor sênior de tecnologia de defesa, avaliou que a rede ucraniana é bastante descentralizada, isto é, distribuída entre muitos pontos e rotas. Essa estrutura torna mais difícil derrubar a conexão de todo o país de uma vez, embora não impeça interrupções locais nem o aumento dos custos de reparo.
O Ministério da Defesa russo reconheceu ter atingido a instalação da Datagroup e alegou que ela era usada pela inteligência militar ucraniana. Essa alegação não está estabelecida de forma independente nas informações disponíveis. O ministério também disse ter mirado outros centros de processamento de dados e telecomunicações, citando New-Telco, United DC, Kyivstar e Parkovyi.
Para o presidente Volodymyr Zelensky, a ofensiva busca afetar a vida cotidiana ao atingir provedores de internet e centros de dados. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que essas estruturas são civis e que os ataques tentam interromper o fluxo de informações essenciais. Já uma análise do Instituto para o Estudo da Guerra situou os ataques em uma campanha russa mais ampla contra a economia e a infraestrutura digital da Ucrânia.
A importância estratégica desses ataques está menos em produzir um colapso imediato da internet e mais em desgastar a capacidade de funcionamento do país. Sistemas de reserva podem manter serviços ativos após um ataque, como ocorreu com a Datagroup, mas reparos, substituição de equipamentos e proteção adicional consomem recursos. Zelensky disse que as autoridades ucranianas adotaram novas medidas para proteger centros de dados e instalações críticas de comunicação. O teste, agora, será saber se essa rede distribuída continuará absorvendo ataques repetidos sem que falhas locais se acumulem em prejuízos mais amplos.