No último sábado, uma série de ataques perpetrados por colonos israelenses em diversas localidades da Cisjordânia resultou em ferimentos e prisões, segundo relatos palestinos. Entre os incidentes, uma mulher palestina foi agredida em Sa'ir, próximo a Hebron, enquanto seus filhos foram detidos pelas forças israelenses. A mulher precisou ser evacuada para tratamento médico. Até a meia-noite do domingo, o Exército de Defesa de Israel (IDF) não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.
Ainda durante o dia, colonos atacaram outras vilas palestinas, incluindo Ein Siniya, ao norte de Ramallah, onde pedras foram lançadas contra residências, ferindo gravemente um morador que precisou ser hospitalizado. Em Abu Falah, outro vilarejo da Cisjordânia central, houve relatos de invasões e pedidos de ajuda nas redes sociais, enquanto os moradores palestinos enfrentam dificuldades para se proteger.
Quando as tropas israelenses chegaram a Abu Falah, prenderam moradores locais em vez dos colonos envolvidos, que já haviam retornado a assentamentos ilegais vizinhos. O IDF afirmou estar investigando o ocorrido, mas não forneceu detalhes adicionais até o sábado à noite.
Na cidade de Turmus Ayya, que abriga uma significativa população de cidadãos americanos, ocorreram dois ataques distintos. No segundo, cerca de 20 colonos mascarados invadiram o local, incendiando um prédio e vandalizando propriedades. Pichação em hebraico com as palavras "vingança" e "saudações de Abu Falah" foi encontrada em uma parede, indicando possível retaliação relacionada a ataques recentes na região. Não houve relatos de feridos ou prisões nesse episódio.
Esses ataques são frequentes na Cisjordânia, com prisões e processos contra os agressores sendo raros. Geralmente, há um aumento dessas ações durante o Shabat, mesmo que muitos dos envolvidos sejam judeus ortodoxos, o que contraria preceitos da lei judaica.
Durante o conflito entre Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro e com trégua estabelecida em 8 de abril, foram registrados 378 episódios de violência por colonos extremistas contra palestinos e suas propriedades na Cisjordânia, abrangendo 148 comunidades, conforme levantamento da ONG Yesh Din, que monitora a violência dos colonos e se opõe ao movimento de assentamentos.
Nesse período, oito palestinos foram mortos e 200 ficaram feridos em ataques extremistas. Em 22 de março, diante da escalada da violência, o IDF redirecionou um batalhão destinado ao Líbano para a Cisjordânia na tentativa de conter os confrontos. Mesmo assim, mais de 120 incidentes ocorreram até o fim do conflito, segundo os dados da ONG.
A Yesh Din baseia suas estatísticas em cruzamento de declarações públicas e reportagens diversas sobre violência de colonos.
Analisando o contexto, a continuidade e a frequência desses ataques indicam um ambiente de instabilidade crescente na Cisjordânia, que pode comprometer ainda mais a segurança local e as perspectivas de diálogo entre israelenses e palestinos. A resposta das forças de segurança israelenses, focada na detenção de palestinos ao invés dos colonos agressores, pode agravar tensões e alimentar ciclos de violência.
Se a tendência atual persistir, é provável que a região experimente novos episódios de confrontos, dificultando iniciativas de paz e aumentando o risco de escalada. A comunidade internacional poderá intensificar pressões para que Israel controle a violência dos colonos e garanta a proteção dos civis palestinos, enquanto a situação no terreno permanece volátil e sujeita a desdobramentos imprevisíveis.