A Zaporizhstal, siderúrgica ucraniana que empregava cerca de 8.500 pessoas, está parada desde 11 de agosto. Sua proprietária, a Metinvest, afirma que a fábrica sofreu quatro ataques até 17 de setembro, com um total de 17 mísseis. Oito pessoas morreram. Os danos atingiram equipamentos, edifícios e até a infraestrutura ferroviária da unidade.
Em Kryvyi Rih, outra grande produtora enfrenta uma decisão semelhante. Após quatro ataques com mísseis em cinco semanas, a ArcelorMittal anunciou, em 25 de setembro, que não conseguia reiniciar a usina de maneira segura e sustentável. A empresa informou cinco mortes entre seus empregados e disse que discutia o futuro da unidade com o governo ucraniano.
Antes da invasão em grande escala, mineração e metalurgia respondiam, juntas, por cerca de 10% do PIB da Ucrânia e um terço de suas exportações, segundo os dados citados pela BBC. Essa referência mostra o peso que o setor tinha na economia; não mede quanto a produção caiu agora. Nas cidades que abrigam as usinas, porém, a consequência de uma parada prolongada pode ser percebida de outra forma: no emprego e no orçamento municipal.
Uma siderúrgica emprega trabalhadores e paga tributos à cidade onde opera. Segundo uma estimativa de Stanislav Zinchenko, da consultoria setorial GMK Center, impostos de empresas metalúrgicas correspondem a 30% a 70% dos gastos dos governos locais em suas cidades-sede. Não é uma medição da perda já sofrida por Zaporizhzhia ou Kryvyi Rih. É uma indicação de quanto essas prefeituras podem ficar expostas quando a atividade industrial é interrompida por muito tempo.
O fechamento da fábrica não corta automaticamente toda essa receita: empresas ainda podem ter obrigações a pagar enquanto estão paradas. Mas, sem produção e vendas regulares, a continuidade dos empregos e dos recolhimentos fica sob pressão. Assim, o dano pode atravessar os portões da usina e chegar ao dinheiro disponível para manter serviços municipais.
Também não basta consertar o equipamento atingido para voltar a fabricar aço. A Metinvest informou que a Zaporizhstal permaneceu parada enquanto novos ataques atingiam a unidade; a ArcelorMittal afirma que, nas condições atuais, não consegue operar com segurança. A infraestrutura ferroviária danificada na Zaporizhstal acrescenta outro obstáculo à movimentação dos produtos quando a produção puder ser retomada.
A Rússia alega que as usinas produziam material militar, afirmação para a qual a reportagem da BBC não apresentou comprovação independente. O efeito econômico visível, por enquanto, é mais específico do que o desaparecimento definitivo da siderurgia ucraniana: duas unidades importantes não conseguem operar. Quanto mais durar a interrupção, maior será o risco para cidades cujos empregos e contas públicas dependem das fábricas.