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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Autor revela histórias de jogadores de futebol judeus mortos no Holocausto

David Bolchover resgata a história de 11 jogadores de futebol judeus mortos no Holocausto, revelando um legado esquecido no esporte europeu antes da Segunda Guerra Mundial.

Autor revela histórias de jogadores de futebol judeus mortos no Holocausto

David Bolchover, escritor britânico e fã de futebol, desafia a percepção comum de que judeus não têm destaque no futebol. Em seu novo livro, "Digging Deep", ele resgata a memória de 11 jogadores de futebol judeus que foram vítimas do Holocausto, cujas carreiras e vidas foram apagadas pela perseguição nazista.

Bolchover iniciou sua pesquisa ao investigar a história de Béla Guttmann, um treinador húngaro judeu que sobreviveu ao Holocausto e conquistou a Taça dos Campeões Europeus na década de 1960. Durante essa investigação, descobriu um universo esquecido de jogadores e treinadores judeus que tiveram grande impacto no futebol europeu antes da Segunda Guerra Mundial.

O autor destaca que a maioria das homenagens ao Holocausto foca nos sobreviventes, enquanto a história dos que foram assassinados permanece pouco conhecida. Seu livro busca preencher essa lacuna, apresentando as trajetórias de jogadores que representaram seus países em competições internacionais, mas que foram mortos durante o genocídio.

Entre os atletas destacados está Jozsef Braun, considerado por Bolchover como o maior jogador judeu de todos os tempos, que estreou na seleção da Hungria aos 17 anos e teve sua carreira interrompida pela guerra. Outro nome é Zygmunt Steuermann, conhecido por seu talento e personalidade controversa, e Max Scheuer, que jogou pelo time sionista Hakoah Vienna e lutou por causas judaicas.

A pesquisa de Bolchover envolveu análise detalhada de documentos, relatórios de partidas e registros genealógicos, muitos dos quais foram destruídos ou são incompletos. Ele também entrou em contato com familiares sobreviventes para reconstruir as histórias desses jogadores.

O autor ressalta que a diminuição da presença judaica no futebol contemporâneo está ligada à redução da população judaica europeia após o Holocausto e à dispersão geográfica dos judeus, principalmente para Israel e Estados Unidos, onde o futebol não tem a mesma tradição.

Bolchover também comenta sobre a participação de Israel em competições internacionais, destacando as dificuldades enfrentadas pela seleção devido à sua exclusão da Confederação Asiática de Futebol e a alta competitividade das eliminatórias europeias.

Além de resgatar memórias, o livro propõe uma reflexão sobre o impacto do Holocausto na cultura esportiva judaica e questiona se o mundo realmente aprendeu com essa tragédia, especialmente em eventos esportivos internacionais onde símbolos e identidades nacionais são exibidos.

A obra de Bolchover contribui para ampliar o entendimento sobre a diversidade cultural no futebol e a importância de preservar a memória histórica, mostrando como o esporte pode ser uma lente para compreender eventos sociais e políticos complexos.

Em termos estratégicos, a recuperação dessas narrativas pode fortalecer a identidade cultural judaica e incentivar o reconhecimento de grupos marginalizados na história do esporte. Além disso, pode influenciar a forma como instituições esportivas e culturais abordam temas relacionados à memória histórica e à inclusão.

No futuro, é possível que iniciativas similares ampliem o debate sobre o papel do esporte na preservação da história e na promoção da diversidade, além de estimular pesquisas sobre outras comunidades afetadas por conflitos e perseguições.