Durante a 18ª Cúpula do BRICS realizada em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, os líderes do bloco adotaram a Declaração de Nova Délhi, documento que estabelece a posição comum do grupo sobre governança global, comércio, finanças e conflitos internacionais. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi destacou que o mundo em transformação "não pode ser guiado por instituições ultrapassadas" e defendeu reformas essenciais em representação, capacidade de resposta e elaboração de regras, com maior participação do Sul Global nas decisões internacionais.
A declaração enfatiza a necessidade de reforma das Nações Unidas e das instituições financeiras globais para ampliar a representação dos países em desenvolvimento, além de condenar sanções unilaterais que violam o direito internacional. No âmbito econômico, o BRICS expressou preocupações sérias sobre tarifas e restrições comerciais, apoiando iniciativas para pagamentos transfronteiriços mais rápidos e baratos e o uso ampliado de moedas nacionais no comércio e investimento.
No campo dos conflitos globais, o documento reforça o compromisso com a diplomacia e a resolução pacífica de disputas, apoiando a criação de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital, e condenando o deslocamento forçado de palestinos, ataques a civis e a obstrução da ajuda humanitária em Gaza.
O presidente russo Vladimir Putin qualificou o BRICS como um centro emergente de governança global, ressaltando que a política, segurança e economia mundial dependem cada vez mais das decisões conjuntas do grupo. Ele também destacou que a reforma do FMI, Banco Mundial e OMC é insuficiente para acompanhar a economia global em rápida mudança, defendendo a criação de novas instituições e regras para áreas emergentes como fintech e comércio digital.
Além disso, os líderes do BRICS demonstraram unidade ao participarem de atividades simbólicas, como o plantio de árvores banyan, representando longevidade e força, e trocaram gestos de cordialidade, como o aperto de mãos entre Modi e o presidente chinês Xi Jinping, sinalizando a estabilização das relações entre Índia e China após anos de tensões.
A Declaração de Nova Délhi também prevê um papel ampliado para o Novo Banco de Desenvolvimento, com maior financiamento em moedas locais, e reforça a cooperação em inteligência artificial, infraestrutura digital, comércio e investimentos. Modi concluiu que, apesar da diversidade de opiniões, o compromisso compartilhado com a cooperação do BRICS ficou claro, e que o documento deve agora ser traduzido em resultados concretos para fortalecer a influência do Sul Global no cenário internacional.
Crédito da imagem: Prime Minister's Office, Government of India (CC BY-SA 2.0).