A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos foi convocada de volta ao Capitólio para votar um projeto de lei que visa financiar o Departamento de Segurança Interna (DHS), enquanto o país enfrenta atrasos significativos nas viagens aéreas. A votação, prevista para ocorrer na noite de sexta-feira, busca garantir recursos para o DHS, incluindo suas agências de imigração, até 22 de maio. Essa iniciativa surge poucas horas após os republicanos rejeitarem um acordo aprovado pelo Senado que financiaria a Administração de Segurança nos Transportes (TSA).
Os agentes da TSA, responsáveis pela segurança nos aeroportos americanos, estão sem receber salários há mais de um mês devido ao impasse no Congresso. Essa situação tem provocado longas filas e atrasos em diversos aeroportos do país. O projeto aprovado pela Câmara, contudo, enfrenta resistência dos democratas, que condicionam o financiamento à implementação de reformas nas agências de imigração vinculadas ao DHS.
Caso a Câmara aprove a medida, ela seguirá para o Senado, onde os democratas já indicaram que não a apoiarão. Com o Congresso prestes a entrar em um recesso de duas semanas, a aprovação do financiamento para o DHS, que engloba a TSA, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), parece improvável no curto prazo.
Diante da paralisação, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para garantir o pagamento imediato a centenas de agentes de segurança aeroportuária, muitos dos quais têm trabalhado sem remuneração, faltando ao serviço ou até mesmo abandonando seus postos. No entanto, essa medida pode enfrentar desafios legais e políticos, já que a Constituição dos EUA atribui ao Congresso a responsabilidade de autorizar os gastos federais.
Os democratas mantêm a posição de não aprovar o financiamento sem reformas específicas no ICE, enquanto o Senado aprovou unanimemente um projeto que exclui o ICE e partes da proteção de fronteira. Por outro lado, os republicanos da Câmara afirmam que não apoiarão qualquer legislação que não inclua recursos para a aplicação da imigração e requisitos de identificação de eleitores.
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, declarou que os republicanos não aceitarão esforços para reabrir as fronteiras ou interromper a fiscalização da imigração. Em contrapartida, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a proposta da Câmara para financiar temporariamente o departamento será rejeitada. Ele ressaltou que os democratas estão dispostos a financiar funções críticas do DHS, mas não concederão um cheque em branco para o que chamam de "milícia ilegal e mortal" da imigração sem reformas.
Hakeem Jeffries, principal democrata na Câmara, informou que o partido está trabalhando para garantir a presença máxima dos membros para a votação esperada. Na votação da manhã de sexta-feira, ambos os partidos enfrentaram problemas de quórum, com 11 ausências entre os republicanos e 9 entre os democratas.
A expectativa era que o pacote aprovado pelo Senado pudesse pôr fim às interrupções generalizadas nos aeroportos americanos, onde passageiros enfrentam filas de horas devido à escassez de agentes da TSA nos pontos de verificação de segurança. Cerca de 50 mil agentes da TSA têm trabalhado sem pagamento desde meados de fevereiro, o que reduziu o número de funcionários presentes diariamente e levou centenas a renunciar.
No aeroporto de Houston, um repórter da BBC relatou que, após esperar cerca de duas horas em uma fila que se estendia por um andar, passageiros exaustos subiram uma escada rolante acreditando que haviam chegado ao fim da fila, apenas para encontrar outra longa fila em direção à segurança. Atualmente, apenas entre um terço e metade dos pontos de verificação da TSA estão em operação, conforme informado por Jim Szczesniak, diretor de aviação do sistema aeroportuário de Houston.
Poucas horas antes da votação no Senado, Trump anunciou em sua rede social que assinaria uma ordem executiva para pagar imediatamente os agentes da TSA. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmou que o presidente não deveria ter precisado intervir para salvar os trabalhadores da TSA e o transporte aéreo dos EUA, atribuindo a responsabilidade à recusa dos democratas em chegar a um acordo para financiar o DHS neste ano. Thune criticou a abordagem republicana de financiar o departamento de forma fragmentada, afirmando que essa não é a maneira adequada de garantir os recursos necessários.
Schumer destacou que o pacote aprovado inclui financiamento para a TSA, a Guarda Costeira dos EUA e a FEMA. Ele também mencionou que, após os assassinatos de Renee Good e Alex Pretti, os democratas no Senado foram claros ao não conceder um cheque em branco para o ICE e a patrulha de fronteira, citando controvérsias recentes envolvendo agentes do ICE, especialmente em Minneapolis, onde cidadãos americanos foram mortos durante operações federais.
Os democratas exigem que qualquer acordo de financiamento do DHS inclua medidas como o fim do uso de máscaras por agentes do ICE, a proibição do perfil racial e a exigência de mandados judiciais para a entrada em propriedades privadas. Enquanto isso, agentes do ICE foram destacados para aeroportos importantes dos EUA, onde as filas de segurança continuam se estendendo por horas.
A crise atual expõe a complexidade das negociações políticas em torno da segurança interna e da imigração nos Estados Unidos, com impactos diretos na mobilidade e na segurança dos cidadãos. A paralisação prolongada dos agentes da TSA compromete a eficiência do sistema aeroportuário, afetando o turismo, os negócios e a economia em geral.
Do ponto de vista estratégico, a incapacidade do Congresso de aprovar um financiamento abrangente para o DHS pode agravar ainda mais o caos nos aeroportos e aumentar a pressão sobre o governo para encontrar soluções emergenciais. A ordem executiva de Trump, embora imediata, pode ser contestada judicialmente, prolongando a incerteza. Caso o impasse persista, o país poderá enfrentar novas interrupções nos serviços essenciais de segurança e imigração, o que pode impactar a percepção internacional sobre a estabilidade e a governança dos EUA.
Nos próximos dias, a dinâmica política entre republicanos e democratas será decisiva para a resolução do impasse. A necessidade de reformas nas agências de imigração, combinada com a urgência de garantir a segurança nos aeroportos, cria um cenário de difícil conciliação. A continuidade da crise pode levar a pressões crescentes tanto do setor privado quanto da opinião pública para que o Congresso encontre um acordo que assegure o funcionamento pleno do DHS e a retomada da normalidade nas viagens aéreas.