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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Campanha anticorrupção de Xi Jinping atinge altos oficiais militares chineses

A campanha anticorrupção liderada por Xi Jinping atinge altos oficiais do Exército Popular de Libertação da China, incluindo generais da Comissão Militar Central. A ação reforça o controle político sobre as forças armadas em meio a preparativos para o centenário do PLA e pressões sobre Taiwan.

Campanha anticorrupção de Xi Jinping atinge altos oficiais militares chineses

Durante as recentes sessões legislativas anuais da China, conhecidas como "duas sessões", realizadas em Pequim, a ausência de diversos oficiais militares, ativos e aposentados, chamou atenção. Entre eles, destaca-se o General Zhang Youxia, investigado desde o final de janeiro por supostas violações graves de disciplina e lei. Zhang é um dos oficiais de mais alta patente envolvidos na ampla campanha anticorrupção promovida pelo presidente Xi Jinping desde sua ascensão ao poder em 2012.

A iniciativa de Xi Jinping, que visa combater a corrupção em todos os níveis do Partido Comunista, governo e forças armadas, tem sido descrita como uma tempestade anticorrupção sem precedentes na história recente da China. Recentemente, o foco da campanha voltou-se com intensidade para a liderança do Exército Popular de Libertação (PLA), abrangendo não apenas membros da Comissão Militar Central, mas também comandantes operacionais, comissários políticos e oficiais das cinco regiões militares e diversas unidades.

Relatórios oficiais indicam que a luta contra a corrupção é considerada prioritária para a manutenção da eficácia operacional das forças armadas. Um jornal militar oficial destacou que a corrupção é o maior mal que compromete a capacidade de combate e que a erradicação completa desses riscos é essencial para o fortalecimento do PLA. O relatório mais recente do PLA, divulgado durante as "duas sessões", colocou o combate à corrupção em pé de igualdade com outras metas estratégicas, como a retificação política e a garantia de lealdade ao Partido Comunista.

Essa intensificação da campanha ocorre em um momento em que o PLA se prepara para comemorar seu centenário, em agosto de 2027, ocasião em que será avaliado o progresso da modernização militar ao longo das últimas décadas. Especialistas observam que a série de investigações e remoções de oficiais seniores reflete a insatisfação contínua de Xi Jinping com a gestão das forças armadas, especialmente no que diz respeito ao sistema de pessoal.

Desde 2022, cerca de cem oficiais seniores do PLA foram removidos ou estão sob suspeita, incluindo 36 generais e tenentes-generais, além de dezenas de outros oficiais que desapareceram de reuniões importantes. Embora a corrupção seja a justificativa oficial para muitas dessas ações, analistas regionais avaliam que essas mudanças podem indicar problemas institucionais mais profundos ou preocupações políticas relacionadas à lealdade dentro das forças armadas.

A Comissão Militar Central, órgão máximo de comando do PLA, sofreu uma limpeza significativa, com a substituição de cinco de seus sete membros nos últimos anos, restando apenas Xi Jinping e mais um oficial. Essa situação é considerada excepcional, comparável a mudanças abruptas em altos comandos militares de outras potências globais.

Observadores sul-coreanos e japoneses destacam que, independentemente da motivação principal – anticorrupção ou política –, as frequentes mudanças na liderança podem gerar incertezas internas, afetando o moral e a confiança entre os oficiais. Ao mesmo tempo, tais medidas reforçam o controle político centralizado sobre as forças armadas.

No cenário regional, as transformações na liderança do PLA são monitoradas de perto em Taiwan, que enfrenta pressões crescentes da China, que mantém a promessa de anexar a ilha, seja por meios pacíficos ou pela força. O relatório governamental chinês divulgado durante as "duas sessões" reforça a prioridade dada à reunificação, indicando uma determinação crescente em acelerar os preparativos para essa meta, inclusive por métodos coercitivos.

Apesar das mudanças internas, as operações militares chinesas em torno de Taiwan continuam ativas. Exercícios militares de grande escala e patrulhas conjuntas de prontidão de combate foram realizadas recentemente, sugerindo que o sistema de treinamento e operações do PLA não sofreu interrupções significativas. Atividades na chamada "zona cinzenta", destinadas a intimidar Taiwan e testar suas capacidades, também persistem.

Em termos estratégicos, a campanha anticorrupção no PLA pode ser interpretada como um esforço para consolidar o controle político sobre as forças armadas, garantindo que a liderança militar esteja alinhada com os objetivos do Partido Comunista e de Xi Jinping. Essa reorganização pode fortalecer a disciplina e a eficiência do PLA, mas também traz riscos de instabilidade interna e perda de experiência devido à saída de oficiais seniores.

Para o futuro próximo, espera-se que a China continue a reforçar sua estrutura militar e política, com foco na preparação para o centenário do PLA e na intensificação das pressões sobre Taiwan. A continuidade das purgas e reavaliações dentro do PLA pode indicar uma tentativa de eliminar resistências internas e consolidar uma liderança militar mais coesa e leal, o que pode impactar a dinâmica regional e global, especialmente nas relações com os Estados Unidos e seus aliados na Ásia-Pacífico.