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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Canadá planeja retaliação comercial que pode afetar economia dos EUA e eleição de Trump

Canadá planeja tarifas retaliatórias contra os EUA em setores estratégicos, pressionando a economia americana e influenciando o cenário político antes das eleições.

Canadá planeja retaliação comercial que pode afetar economia dos EUA e eleição de Trump

O Canadá, que depende fortemente do mercado dos Estados Unidos para cerca de 70% de suas exportações, está avaliando estratégias para responder às tarifas impostas pelo governo americano. Apesar das tensões comerciais, o país mantém uma posição de força, sendo o principal parceiro comercial de 26 estados americanos e figurando entre os três maiores para 45 estados dos EUA. Essa relação comercial ampla oferece ao Canadá margem para implementar medidas de retaliação econômica.

O primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciou que as tarifas retaliatórias planejadas serão aplicadas de forma estratégica e equivalente, focando em setores como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, eletrônicos, celulose e papel. A lista final dessas medidas ainda está em definição. Pesquisa de opinião indica que a maioria dos canadenses desaprova concessões significativas ao governo americano, refletindo um sentimento nacional de resistência às pressões externas.

O premier de Ontário, Doug Ford, conhecido por sua postura crítica ao ex-presidente Donald Trump, manifestou apoio às retaliações e chegou a responder de forma contundente às ameaças tarifárias americanas. Ford também sugeriu a possibilidade de incluir uma sobretaxa sobre as exportações de energia elétrica para os EUA, destacando que essa medida poderia impactar cerca de 1,5 milhão de residências e empresas em estados como Michigan, Minnesota e Nova York.

Embora a energia não esteja incluída nas medidas retaliatórias iniciais, o Canadá é o principal fornecedor de gás natural e eletricidade para os Estados Unidos, além de responder por aproximadamente 60% das importações americanas de petróleo bruto. Essa dependência energética representa um potencial instrumento de pressão, ainda que haja divergências entre os líderes provinciais sobre sua utilização.

Além da energia, o Canadá detém reservas significativas de minerais estratégicos como lítio, níquel e grafite, essenciais para diversas indústrias. O país também é o maior fornecedor mundial de potássio, um componente fundamental para fertilizantes agrícolas. Esses recursos naturais são outro ponto de alavancagem nas negociações comerciais.

A capacidade de impacto econômico do Canadá já foi demonstrada anteriormente, quando a maioria das províncias canadenses proibiu a venda de bebidas alcoólicas americanas em resposta às tarifas iniciais dos EUA. Essa medida causou uma queda expressiva nas exportações de vinhos e destilados americanos para o Canadá, afetando significativamente o setor nos Estados Unidos.

Além das ações governamentais, houve também uma redução voluntária das viagens de canadenses aos Estados Unidos, o que resultou em perdas bilionárias para a economia americana. Dados indicam que em abril houve uma diminuição de 800 mil viagens em comparação ao mesmo período do ano anterior, antes do retorno de Trump ao poder.

O contexto político também influencia a dinâmica da disputa comercial. A proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA coloca a economia como tema central para os eleitores, especialmente em estados fronteiriços com o Canadá, como Michigan e Maine, que dependem fortemente do comércio bilateral. A continuidade ou escalada das tarifas pode afetar o apoio popular ao governo americano.

Especialistas financeiros estimam que as tarifas recentes podem reduzir o PIB canadense entre 0,3% e 0,6% no curto prazo, um custo significativo para o país. Contudo, a maioria da população canadense apoia a postura firme do governo em defesa dos interesses nacionais.

O primeiro-ministro Carney ressaltou que os trabalhadores americanos nos estados mais afetados dependem diretamente do comércio com o Canadá, que é o maior consumidor de veículos produzidos nos EUA, superando até a União Europeia. Líderes provinciais, como o de British Columbia, destacaram que as tarifas americanas terão impacto direto no custo de diversos produtos para os consumidores nos EUA, desde materiais de construção até flores e equipamentos de pesca.

Doug Ford indicou que as medidas retaliatórias podem ser direcionadas especificamente a estados americanos governados por republicanos, com o objetivo de pressionar economicamente esses territórios. Ele também expressou interesse em se envolver pessoalmente na campanha eleitoral americana para reforçar essa estratégia.

Em resumo, o Canadá dispõe de vários instrumentos econômicos para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos, incluindo setores estratégicos como energia, minerais, agricultura e manufatura. A disputa comercial tem potencial para afetar não apenas as economias dos dois países, mas também o cenário político americano, especialmente com as eleições se aproximando.

Do ponto de vista estratégico, a capacidade do Canadá de impor custos econômicos aos EUA pode servir como um fator de negociação importante, incentivando a busca por acordos mais equilibrados. No entanto, a escalada das tarifas pode gerar efeitos negativos para ambos os lados, com impactos no emprego, nos preços ao consumidor e na estabilidade das cadeias de suprimentos.

O próximo período será decisivo para definir se as partes conseguirão avançar em negociações ou se a disputa comercial se intensificará, com consequências diretas para o comércio bilateral e para a economia norte-americana em um momento eleitoral sensível.