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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Candidato ao Senado em Maine muda posição e acusa Israel de genocídio em Gaza

Jordan Wood, candidato ao Senado dos EUA pelo Maine, mudou sua posição e agora acusa Israel de genocídio em Gaza, refletindo debates internos no Partido Democrata sobre o conflito.

Candidato ao Senado em Maine muda posição e acusa Israel de genocídio em Gaza

Jordan Wood, candidato ao Senado dos Estados Unidos pelo estado do Maine, alterou sua postura sobre o conflito entre Israel e Gaza ao usar o termo "genocídio" para descrever as ações israelenses na região. Anteriormente, durante sua campanha no ano passado, Wood evitava empregar essa palavra, citando preocupações com o aumento do antissemitismo nos Estados Unidos e o impacto que a linguagem poderia ter nesse contexto. Na época, ele reconhecia a existência de crimes de guerra, mas não qualificava os eventos como genocídio.

Entretanto, diante da suspensão da candidatura de Graham Platner, que venceu a indicação democrata mas foi afastado após acusações de agressão sexual, Wood retomou a disputa pela vaga e adotou uma posição mais firme contra o governo israelense. Em suas redes sociais, ele afirmou que os Estados Unidos não podem continuar financiando o que chamou de genocídio em Gaza, classificando a situação como uma atrocidade moral. Wood defende que os recursos públicos americanos deveriam ser direcionados para áreas como educação, saúde e assistência infantil dentro do país, em vez de serem usados para operações militares que afetam civis inocentes.

Durante a campanha anterior, Wood expressou preocupação com o uso do termo genocídio, destacando que a retórica poderia alimentar a violência contra judeus nos EUA. Ele mencionou que seu marido é judeu e que os ataques a essa comunidade estão ligados ao discurso público. Além disso, Wood ponderou sobre as implicações legais e políticas que a designação oficial de genocídio poderia ter, incluindo possíveis consequências para cidadãos americanos que serviram nas Forças de Defesa de Israel.

A disputa democrata em Maine, com prazo até 27 de julho para a escolha do substituto de Platner, tem visto vários candidatos adotarem posições críticas em relação a Israel, refletindo uma mudança no sentimento dos eleitores democratas após o conflito em Gaza. Entre os concorrentes estão Troy Jackson, Nirav Shah e Shenna Bellows, todos acusando Israel de genocídio desde o início de suas campanhas. Essa mudança evidencia uma crescente insatisfação dentro do partido com o apoio tradicional ao Estado israelense.

Em entrevista recente, Wood destacou que pretende continuar a plataforma política que motivou os eleitores em Maine, apesar de se distanciar pessoalmente de Platner. Ele enfatizou a importância de condicionar a ajuda americana a Israel e rejeitar doações de comitês de ação política ligados a interesses corporativos e pró-Israel, como o AIPAC. Wood também reafirmou seu compromisso em votar a favor de resoluções para bloquear a venda de certos armamentos a Israel, embora defenda a manutenção de uma relação cooperativa entre os dois países, desde que baseada em transparência e responsabilidade.

A campanha de Wood não comentou diretamente o motivo da mudança em seu posicionamento sobre o uso do termo genocídio. O cenário político em Maine mostra uma tendência de candidatos democratas adotando uma postura mais crítica em relação a Israel, o que pode influenciar a dinâmica eleitoral contra a senadora republicana Susan Collins.

Analisando o contexto, a mudança de discurso de Wood reflete uma maior polarização e complexidade nas discussões sobre o conflito israelo-palestino dentro do Partido Democrata. A adoção do termo genocídio por candidatos pode sinalizar uma pressão crescente para que o governo dos EUA reavalie seu apoio incondicional a Israel, especialmente diante das consequências humanitárias em Gaza. Essa postura pode levar a debates mais intensos no Congresso sobre o financiamento militar e a política externa americana na região.

Além disso, a disputa em Maine pode servir como um termômetro para o posicionamento dos eleitores democratas em relação ao Oriente Médio, influenciando futuras estratégias políticas e alianças dentro do partido. A definição clara de termos como genocídio e a discussão sobre os limites do apoio americano a Israel poderão impactar não apenas a eleição local, mas também as políticas externas dos EUA em um momento de tensões crescentes no Oriente Médio.