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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Candidatos ao Senado em Maine apresentam posições distintas sobre Israel após saída de Platner

Após a desistência de Graham Platner, candidatos ao Senado em Maine apresentam posições variadas sobre Israel, influenciando a disputa pelo apoio da comunidade judaica e o futuro político local.

Candidatos ao Senado em Maine apresentam posições distintas sobre Israel após saída de Platner

A corrida para substituir Graham Platner na disputa pelo Senado dos Estados Unidos pelo estado do Maine ganhou novos contornos após a desistência do candidato, conhecido por suas críticas severas a Israel. Platner, que abandonou a candidatura em meio a controvérsias, incluindo acusações relacionadas a um tatuagem nazista e denúncias de assédio, deixou um vácuo que agora é disputado por diversos candidatos com visões variadas sobre a política israelense.

O Partido Democrata do Maine anunciou que realizará uma convenção para escolher o novo candidato, com cerca de 600 delegados selecionados por comitês locais. O prazo para a nomeação do substituto é 27 de julho, mas a data exata da convenção ainda não foi definida. A expectativa é que o processo mobilize uma base de eleitores motivada, em parte, pelo engajamento gerado pela campanha de Platner.

Entre os possíveis candidatos, destacam-se figuras com posições divergentes sobre Israel e temas relacionados à comunidade judaica. Nirav Shah, epidemiologista e ex-candidato ao governo estadual, defende um embargo de armas a Israel e acusa o país de genocídio em Gaza, uma alegação que Israel rejeita categoricamente. Shah também se posiciona contra o recebimento de fundos ou apoio do lobby pró-Israel AIPAC, buscando manter uma postura independente.

Troy Jackson, líder sindical e ex-presidente do Senado estadual, tem apoio de grupos progressistas e de políticos pró-Palestina, como o senador Bernie Sanders. Embora tenha evitado declarações públicas recentes sobre Israel, sua aliança política sugere uma postura crítica ao governo israelense. Jackson também tem histórico de tentar moderar manifestações durante eventos políticos, evidenciando uma abordagem pragmática.

Shenna Bellows, atual secretária de Estado do Maine e ex-diretora do Centro de Holocausto e Direitos Humanos do estado, apresenta um perfil mais institucional. Bellows participou de eventos que enfatizam a importância da memória do Holocausto e da luta contra genocídios, além de ter assinado uma proclamação reconhecendo o 75º aniversário da fundação de Israel, desejando paz e prosperidade ao país. Sua posição sobre questões específicas de Israel é menos explícita.

Jordan Wood, ex-assessor parlamentar, manifestou apoio a restrições nas vendas de armas ofensivas a Israel, alinhando-se parcialmente com propostas de Bernie Sanders. Ele reconhece a existência de crimes de guerra em Gaza, mas evita classificar a situação como genocídio, citando preocupações com o aumento do antissemitismo nos Estados Unidos. Wood também rejeita financiamento do AIPAC, destacando a necessidade de transparência e confiança dos eleitores.

Dan Kleban, empresário do setor cervejeiro, retomou sua candidatura com uma visão que enfatiza o direito de Israel à autodefesa. Kleban considera a situação em Gaza uma tragédia, mas não utiliza o termo genocídio para descrever o conflito. Ele defende a continuidade das vendas de armas a Israel, embora com condições, e se posiciona contra o desarmamento do país como solução para a crise humanitária.

Valli Geiger, representante estadual e apoiadora de Platner, foi sugerida pelo próprio ex-candidato como uma possível substituta. Seu foco tem sido mais voltado para questões econômicas e ambientais, com pouca manifestação pública sobre a política israelense. Geiger compartilhou conteúdos críticos a líderes como Netanyahu, indicando uma postura alinhada com setores progressistas.

A diversidade de opiniões entre os candidatos reflete as complexidades do debate sobre Israel dentro do Partido Democrata, especialmente em um estado como o Maine, onde o eleitorado demonstra engajamento crescente. Organizações pró-Israel, como o Democratic Majority for Israel e o Jewish Democratic Council of America, expressaram preocupação com a candidatura de Platner e enfatizam a importância de escolher um representante alinhado com os valores democráticos e capaz de vencer a senadora republicana Susan Collins.

A nomeação do novo candidato terá impacto direto na disputa pelo Senado, considerada uma das mais competitivas nas eleições de 2026. A postura adotada em relação a Israel pode influenciar o apoio de grupos comunitários e o financiamento das campanhas, além de afetar a percepção dos eleitores sobre segurança internacional e direitos humanos.

Do ponto de vista estratégico, a escolha do candidato pode sinalizar a direção política do Partido Democrata no Maine, especialmente em relação às questões do Oriente Médio. Um candidato com postura mais crítica a Israel pode mobilizar a base progressista, mas também enfrentar resistência de eleitores moderados e grupos pró-Israel. Por outro lado, um candidato com apoio mais amplo e posições equilibradas pode ampliar as chances de vitória contra a incumbente republicana.

Nos próximos meses, a realização da convenção e os debates públicos entre os candidatos serão decisivos para definir o perfil do representante democrata. A atenção da comunidade judaica e dos grupos de interesse no tema Israel será um fator relevante na dinâmica da campanha, influenciando alianças políticas e estratégias eleitorais até as eleições de novembro.