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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Capitã da seleção feminina do Irã desiste de pedido de asilo na Austrália, informa mídia estatal iraniana

A capitã da seleção feminina de futebol do Irã, Zahra Ghanbari, retirou seu pedido de asilo na Austrália, tornando-se a quinta integrante da equipe a desistir da permanência no país. A decisão ocorre em meio a relatos de pressões e ameaças às famílias das jogadoras no Irã. O caso destaca tensões políticas e desafios humanitários envolvendo atletas iranianas durante a Copa Asiática.

Capitã da seleção feminina do Irã desiste de pedido de asilo na Austrália, informa mídia estatal iraniana

A capitã da seleção feminina de futebol do Irã, Zahra Ghanbari, decidiu retirar seu pedido de asilo na Austrália, conforme noticiado pela agência estatal iraniana IRNA. Essa desistência a torna a quinta integrante da delegação iraniana a abandonar a intenção de permanecer no país oceânico. Ghanbari deve retornar ao Irã partindo da Malásia, segundo o comunicado divulgado no domingo.

Anteriormente, as autoridades australianas confirmaram que outras três jogadoras também renunciaram aos pedidos de asilo, restando apenas duas das sete atletas que inicialmente aceitaram os vistos humanitários oferecidos pela Austrália. Essas atletas haviam buscado refúgio após demonstrarem silêncio durante o hino nacional iraniano na partida de abertura da Copa Asiática, o que gerou temores de represálias por parte das autoridades iranianas.

Ativistas de direitos humanos levantaram a hipótese de que as atletas possam ter sofrido pressões para reverter suas decisões, incluindo ameaças direcionadas às suas famílias no Irã. Shiva Amini, ex-jogadora da seleção nacional iraniana de futsal exilada, relatou que a Federação Iraniana de Futebol, em colaboração com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), teria exercido uma pressão intensa e sistemática sobre os familiares das jogadoras.

De acordo com Amini, várias atletas optaram por retornar ao Irã devido à gravidade das ameaças e à constante intimidação sofrida. A mídia estatal iraniana saudou a decisão de Ghanbari, destacando seu retorno como um ato de patriotismo e reafirmação do vínculo com a pátria. A agência Mehr qualificou a escolha da capitã como uma demonstração de espírito nacional.

Até o momento, as autoridades australianas não emitiram comentários oficiais sobre a desistência de Ghanbari. No sábado, as três jogadoras que também renunciaram ao pedido de asilo foram identificadas como Zahra Soltan Meshkehkar, Mona Hamoudi e Zahra Sarbali. O ministro australiano do Interior, Tony Burke, afirmou que o governo fez todos os esforços possíveis para garantir que as mulheres tivessem a oportunidade de construir um futuro seguro no país.

Burke ressaltou que, embora o governo australiano possa oferecer e comunicar oportunidades, não é possível alterar o contexto no qual as jogadoras tomam decisões tão difíceis. O Ministério do Esporte do Irã declarou que o patriotismo e o espírito nacional das jogadoras prevaleceram sobre as tentativas externas de desestabilização, acusando o governo australiano de atuar conforme interesses políticos alinhados ao ex-presidente Donald Trump.

A agência de notícias Tasnim, ligada ao IRGC, informou que as três jogadoras estavam a caminho de Kuala Lumpur, na Malásia, para se reunir com o restante da equipe, enfatizando que resistiram a "guerra psicológica, propaganda extensa e ofertas sedutoras" durante sua estadia na Austrália. A ministra australiana Kristy McBain classificou essas declarações como propaganda e reafirmou o compromisso do governo em garantir que as atletas tivessem liberdade para tomar suas próprias decisões.

Na semana anterior, uma jogadora já havia desistido do pedido de asilo, seguida por duas atletas e um membro da equipe técnica que deixaram a Austrália no sábado. A situação ganhou atenção internacional após a equipe iraniana se recusar a cantar o hino nacional durante o primeiro jogo da Copa Asiática contra a Coreia do Sul, em 2 de março, fato que provocou críticas severas no Irã, onde as atletas foram rotuladas como "traidoras em tempo de guerra" e enfrentaram ameaças de punições severas.

Nas partidas seguintes, as jogadoras cantaram o hino, o que levou a especulações de que tenham sido orientadas por autoridades iranianas que as acompanharam no torneio. O restante da equipe deixou a Austrália no dia 10 de março, dois dias após a eliminação da seleção feminina do Campeonato Asiático.

Esse episódio ocorre em um momento delicado, marcado por tensões no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e retaliações iranianas na região. A situação das jogadoras iranianas na Austrália evidencia os desafios enfrentados por atletas em contextos políticos conflituosos, onde decisões pessoais podem ter repercussões internacionais e domésticas significativas.

A desistência de vários membros da equipe de permanecer na Austrália pode indicar a eficácia das pressões exercidas pelo governo iraniano e seus aliados, além de refletir o peso das ameaças às famílias das atletas. Por outro lado, a oferta de asilo por parte da Austrália demonstra a disposição de países ocidentais em apoiar indivíduos em situações de risco, embora o sucesso dessas iniciativas dependa do ambiente político e social que envolve os refugiados.

No cenário estratégico, o caso pode influenciar a percepção internacional sobre a situação dos direitos humanos no Irã e a postura de países como a Austrália em relação a refugiados políticos. A continuidade das pressões sobre as atletas pode desencorajar futuras tentativas de deserção, enquanto a visibilidade do episódio pode aumentar a atenção global sobre as condições das mulheres no esporte iraniano e a repressão política no país.

Espera-se que as autoridades australianas continuem monitorando a situação para garantir a segurança das atletas que optaram por permanecer, ao mesmo tempo em que buscam equilibrar a diplomacia com o Irã e as obrigações humanitárias. O desenrolar desse episódio poderá servir como referência para casos similares envolvendo atletas e dissidentes em contextos geopolíticos sensíveis.