O chefe da polícia nacional do Irã, general Ahmad-Reza Radan, afirmou nesta terça-feira que os manifestantes contrários ao governo que apoiarem os adversários de Teerã serão considerados inimigos do Estado. Em declarações transmitidas pela emissora estatal IRIB, Radan enfatizou que tais pessoas deixarão de ser vistas apenas como manifestantes e passarão a ser tratadas como inimigas, com as forças de segurança prontas para agir com rigor contra elas. Ele ressaltou que todas as unidades policiais estão preparadas, com armas em punho, para defender a revolução iraniana.
Desde janeiro, o governo iraniano reprime duramente as manifestações que surgiram em meio a dificuldades econômicas agravadas pelas sanções internacionais. As autoridades qualificaram os protestos como tumultos e emitiram ultimatos para que os manifestantes se entregassem, sob ameaça de punição severa. O governo reconhece oficialmente mais de 3.000 mortes durante os confrontos, incluindo agentes de segurança e civis, atribuindo a violência a atos terroristas incentivados por inimigos externos.
Por outro lado, a agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, contabiliza mais de 7.000 mortos, em sua maioria manifestantes, e mais de 50.000 prisões, embora o número real possa ser ainda maior.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente demonstrou apoio aos protestos, ameaçando intervir em favor dos manifestantes, mas logo mudou o foco para o programa nuclear iraniano. Em 28 de fevereiro, os EUA, em conjunto com Israel, realizaram ataques contra alvos iranianos, o que desencadeou represálias de Teerã contra Israel e bases americanas na região do Golfo.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dirigiu-se diretamente ao povo iraniano em uma mensagem publicada na rede social X, afirmando que Israel está criando condições para que os iranianos possam determinar seu próprio destino. Netanyahu classificou o conflito atual como uma guerra histórica pela liberdade e uma oportunidade única para derrubar o regime dos aiatolás e conquistar a liberdade. Ele ressaltou que, junto aos Estados Unidos, Israel intensifica ataques contra os líderes de Teerã e prometeu continuar a pressionar até que o povo iraniano possa assumir o controle da situação.
Entretanto, apesar do discurso otimista, autoridades israelenses consultadas após um briefing de segurança indicaram que a queda do regime iraniano pode levar até um ano, mesmo com a campanha militar conjunta dos EUA e Israel prevista para terminar antes disso. Segundo essas fontes, ainda não há sinais claros de quando o conflito poderá ser concluído, e as intenções do ex-presidente Trump permanecem difíceis de interpretar. Além disso, afirmam que as condições para uma mobilização popular significativa no Irã ainda não estão maduras, e os ataques aéreos devem continuar nas próximas semanas.
Oficiais israelenses também reconheceram que não há garantias de que o regime iraniano venha a cair e que o papel de Israel é manter a pressão militar para incentivar a população iraniana a se levantar contra seus governantes. A estratégia atual consiste em continuar os ataques contra os líderes do regime até que uma mudança interna seja possível.
Relatórios indicam que o Irã adaptou suas táticas para enfrentar os ataques dos EUA e Israel, explorando vulnerabilidades regionais e economizando projéteis para lançamentos estratégicos. Diferentemente de confrontos anteriores, o Irã não tem emitido avisos prévios antes de atacar bases americanas e outros alvos em países vizinhos, utilizando mísseis e drones.
Apesar dos danos sofridos pelo regime, incluindo o assassinato de seu antigo líder supremo e de comandantes importantes, o Irã mantém capacidade operacional para continuar o conflito. A situação permanece volátil, com riscos de escalada e prolongamento do confronto.
Analisando o cenário, a postura rígida das autoridades iranianas em relação aos manifestantes indica uma tentativa de sufocar qualquer movimento interno que possa ser interpretado como alinhado a interesses externos, especialmente em um momento de intensa pressão militar. A continuidade dos ataques aéreos por parte de EUA e Israel visa desestabilizar o regime e fomentar uma insurreição popular, mas a complexidade política e social do Irã pode prolongar o conflito.
Nos próximos meses, o desfecho dependerá da capacidade do regime em controlar internamente a situação e da eficácia da campanha militar externa. A possibilidade de um prolongado estado de instabilidade no Irã pode impactar a segurança regional, afetando países vizinhos e a dinâmica geopolítica do Oriente Médio. A comunidade internacional deverá acompanhar atentamente os desdobramentos, considerando as implicações para a estabilidade global e a segurança energética.