O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se pronunciou diante da apreensão dos moradores de Tenerife, maior ilha do arquipélago espanhol das Canárias, em relação à chegada do navio de cruzeiro MV Hondius, que apresenta casos confirmados de hantavírus. Apesar da resistência local, o governo espanhol autorizou o desembarque dos passageiros no domingo, contrariando a oposição das autoridades regionais e da população. A principal preocupação dos residentes está ligada ao impacto econômico que um surto poderia causar em Tenerife, cuja economia depende fortemente do turismo. Nos dias que antecederam a chegada do navio, manifestações foram realizadas nas ruas da cidade, com slogans que expressavam apoio ao turismo, mas rejeição ao vírus.
Até o momento, oito casos de hantavírus foram associados ao surto a bordo do MV Hondius, com três mortes confirmadas. Em sua declaração, Tedros destacou que, embora o vírus seja grave, o risco para os habitantes que seguem suas rotinas em Tenerife é considerado baixo, conforme avaliação técnica da OMS. Ele ressaltou que a decisão de permitir o desembarque foi tomada dentro de um marco legal rigoroso, levando em conta a capacidade médica e infraestrutura da ilha para lidar com a situação. Segundo o diretor-geral, cerca de 150 pessoas provenientes de 23 países estiveram a bordo do navio durante semanas, enfrentando medo e sofrimento, e Tenerife foi escolhida como ponto de apoio por sua estrutura de atendimento e acolhimento.
O navio está previsto para ancorar na costa da ilha no início do domingo. A maioria dos passageiros e tripulantes será transportada em pequenas embarcações até o porto de Granadilla, onde embarcarão diretamente em aviões para retorno aos seus países de origem. Os veículos utilizados para o transporte serão lacrados e monitorados, garantindo que não haja contato com a população local. Tedros assegurou que os moradores da ilha não terão contato com os passageiros desembarcados, nem suas famílias.
Além disso, o chefe da OMS planeja acompanhar pessoalmente as operações em Tenerife, para observar o trabalho dos profissionais de saúde, funcionários portuários e autoridades locais envolvidos no processo. A epidemiologista da OMS, Dra. Maria Van Kerkhove, informou que exames de saúde estão sendo realizados a bordo do navio e que, até o momento, nenhum passageiro ou tripulante apresenta sintomas. Procedimentos de rastreamento de contato estão em andamento para identificar possíveis exposições ao vírus.
O objetivo é que todos os voos de repatriação ocorram entre domingo e segunda-feira. Países como Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda enviaram aeronaves para transportar seus cidadãos. Trinta tripulantes permanecerão no navio, que seguirá para a Holanda, levando também o corpo de um passageiro falecido. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) enviaram uma equipe a Tenerife para acompanhar os 17 americanos que desembarcarão. Eles serão levados a uma instalação especializada em quarentena no estado de Nebraska, que já foi utilizada no início da pandemia de Covid-19. O tempo de quarentena ainda será definido após avaliação epidemiológica.
A OMS recomendou monitoramento ativo e acompanhamento dos passageiros e tripulantes por um período de 42 dias a partir da última exposição confirmada ao vírus. Essa medida visa garantir que eventuais casos sejam detectados e tratados precocemente, minimizando riscos de transmissão.
A chegada do navio MV Hondius a Tenerife representa um desafio logístico e sanitário significativo para as autoridades locais e internacionais. A operação envolve coordenação entre múltiplos países e instituições para garantir a segurança dos passageiros, tripulantes e da população local. O episódio ressalta a importância de protocolos internacionais para o manejo de doenças infecciosas em ambientes de transporte marítimo, especialmente em regiões turísticas vulneráveis.
No cenário estratégico, a situação pode influenciar a percepção global sobre a segurança dos cruzeiros em tempos de surtos infecciosos, impactando a indústria do turismo marítimo. Para Tenerife e as Canárias, o episódio pode gerar preocupações temporárias na atividade turística, exigindo esforços de comunicação e medidas sanitárias rigorosas para restaurar a confiança dos visitantes. A resposta coordenada entre OMS, governos e autoridades locais será fundamental para controlar o risco e evitar consequências econômicas mais amplas.
Nos próximos dias, a atenção estará voltada para o sucesso da repatriação dos passageiros e para o monitoramento da saúde dos envolvidos. A experiência adquirida poderá servir como referência para futuras situações similares, reforçando a importância de respostas rápidas e integradas diante de ameaças sanitárias globais em ambientes de mobilidade internacional.