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domingo, 04 de janeiro de 2026
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China deve reduzir estoques de alimentos e fertilizantes para aliviar crise global

Ex-presidente do Banco Mundial pede que China reduza estoques de alimentos e fertilizantes para aliviar crise global causada por conflito no Irã e bloqueio do Estreito de Ormuz.

China deve reduzir estoques de alimentos e fertilizantes para aliviar crise global

O ex-presidente do Banco Mundial, David Malpass, recomendou que a China diminua seus estoques de alimentos e fertilizantes para contribuir com a mitigação da crise global de abastecimento, agravada pelo conflito no Irã. Malpass, que também atuou como subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos para Assuntos Internacionais durante o governo de Donald Trump, fez essas declarações pouco antes da reunião entre os presidentes Trump e Xi Jinping em Pequim.

Segundo Malpass, a China possui os maiores estoques mundiais desses produtos e poderia interromper a acumulação para facilitar o equilíbrio do mercado global. A escassez de fertilizantes tem se tornado um problema urgente, especialmente com a aproximação do período de plantio na primavera no hemisfério norte. A interrupção das rotas comerciais, causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, tem dificultado significativamente o transporte desses insumos essenciais.

No início do mês, o CEO da Yara, uma das maiores produtoras globais de fertilizantes, alertou que a falta desses produtos poderia resultar na perda de até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo, afetando principalmente os países mais vulneráveis. A redução na produtividade agrícola devido à menor aplicação de fertilizantes pode desencadear uma competição acirrada por alimentos, elevando os preços e aumentando a insegurança alimentar.

Desde março, a China suspendeu as exportações de vários tipos de fertilizantes, justificando a medida pela necessidade de garantir o abastecimento interno. Essa restrição se soma a outras limitações implantadas gradualmente desde 2021. Em 2022, o país foi responsável por cerca de 25% da produção mundial de fertilizantes, com exportações superiores a 13 bilhões de dólares.

Malpass também questionou a posição da China como país em desenvolvimento, destacando que, apesar de ser a segunda maior economia global, o país mantém essa classificação em organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial. Ele sugeriu que a China poderia reconsiderar essa condição para refletir sua atual capacidade econômica.

Em resposta, Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, afirmou que a China está comprometida com a estabilidade dos mercados globais de alimentos e fertilizantes. Liu ressaltou que as causas das interrupções nas cadeias globais de suprimentos são claras e não devem ser atribuídas à China. Além disso, defendeu que o país é amplamente reconhecido como a maior nação em desenvolvimento, mantendo esse status com base em evidências concretas e que isso é um direito legítimo.

Sobre o impasse no Irã, que o ex-presidente Trump descreveu como estando em "suporte vital", Malpass enfatizou a necessidade de uma resolução internacional unificada, destacando que não é aceitável que um estado considerado fora das normas internacionais detenha controle sobre material nuclear e bloqueie uma rota marítima estratégica como o Estreito de Ormuz.

Ele expressou esperança de que a China possa contribuir para a solução do conflito, lembrando que a economia chinesa depende do livre fluxo de mercadorias pelos oceanos. A China detém grande parte das linhas de transporte marítimo e da logística global, e qualquer controle restritivo sobre o estreito afetaria negativamente seus interesses comerciais.

Quanto à economia dos Estados Unidos, Malpass indicou que os preços de diversos produtos tendem a subir, apesar dos dados robustos do mercado de trabalho que indicam resiliência econômica. Ele destacou que a inflação deve continuar sendo um desafio no curto prazo, com os dados oficiais de abril aguardados para avaliação mais detalhada.

A situação global envolvendo a escassez de fertilizantes e alimentos, agravada por tensões geopolíticas, exige uma coordenação internacional mais efetiva. A postura da China em relação ao controle de seus estoques e à participação em negociações multilaterais será decisiva para a estabilização dos mercados.

No cenário estratégico, a continuidade das restrições chinesas pode intensificar a pressão sobre países dependentes de importações, especialmente os mais pobres, aumentando o risco de crises alimentares regionais. Por outro lado, o envolvimento da China na resolução do impasse no Estreito de Ormuz pode contribuir para a segurança das rotas comerciais marítimas, beneficiando o comércio global.

A expectativa é que as próximas reuniões internacionais abordem essas questões com maior urgência, buscando soluções que equilibrem interesses econômicos e geopolíticos, minimizando os impactos sobre a segurança alimentar mundial.