A China expulsou Zhang Youxia e Liu Zhenli do serviço militar e encaminhou seus casos à promotoria militar, aprofundando uma queda que já havia retirado os dois das posições mais altas da cadeia de comando. A expulsão do Partido Comunista foi decidida, mas ainda depende de ratificação formal pelo Comitê Central em uma futura sessão plenária.
A medida atinge dois ex-integrantes centrais da estrutura militar chinesa. Zhang havia sido vice-presidente da Comissão Militar Central e membro do Politburo. Liu havia integrado a mesma comissão e chefiado seu Departamento de Estado-Maior Conjunto. Ambos já tinham perdido seus postos na Comissão Militar Central por decisão do Legislativo chinês no fim de agosto.
A sequência importa porque transforma uma remoção de cargos em um processo disciplinar e judicial mais amplo. A saída do serviço militar já está consumada; a exclusão partidária segue um rito próprio; e as suspeitas de crime foram transferidas para análise e acusação por procuradores militares. Isso fecha, no plano institucional, a permanência dos dois na cúpula militar, sem que o desfecho penal tenha sido definido.
As autoridades chinesas alegam que Zhang e Liu formaram facções em benefício próprio, foram desleais ao Partido, facilitaram promoções usando seus cargos e aceitaram grandes propinas. Essas são conclusões da investigação oficial, não fatos julgados de forma independente. Pequim enquadra a operação em sua campanha anticorrupção, mas a acusação de deslealdade política mostra que o caso vai além de supostos desvios financeiros: a disciplina partidária aparece como parte central da punição.
O efeito concreto imediato é a consolidação da retirada de dois antigos dirigentes do comando militar. O processo também preserva uma diferença relevante: Zhang e Liu já não pertencem ao serviço militar, mas sua expulsão formal do Partido ainda não está concluída. Até a sessão plenária que a ratifique, o caso combina uma sanção já executada com uma decisão partidária pendente e uma frente penal aberta.