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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Comissão Financeira da Knesset aprova quase 100 milhões de NIS para escolas Haredi

A Comissão Financeira da Knesset aprovou quase 100 milhões de NIS para escolas Haredi após debate intenso e controvérsias sobre a qualidade do ensino e legalidade da transferência. A decisão ocorre em meio a críticas da oposição e desafios judiciais, refletindo tensões políticas e sociais em Israel.

Comissão Financeira da Knesset aprova quase 100 milhões de NIS para escolas Haredi

Após um intenso debate de sete horas, a Comissão Financeira da Knesset aprovou na noite de terça-feira a liberação de quase 100 milhões de shekels israelenses (aproximadamente 33 milhões de dólares) para instituições educacionais Haredi. Essa verba faz parte de uma transferência maior, no valor de 1 bilhão de NIS (cerca de 331 milhões de dólares), que havia sido suspensa em dezembro pelo Supremo Tribunal de Justiça por não ter passado por votação no comitê parlamentar nem por deliberações adequadas.

Enquanto a maior parte dos recursos já foi distribuída, o tribunal ordenou no mês passado que a comissão realizasse uma reunião para discutir os 98 milhões de NIS restantes. A decisão judicial foi resultado de uma petição apresentada por parlamentares da oposição do partido Yesh Atid, que acusaram o governo de financiar instituições educacionais que não ensinam o currículo básico obrigatório por lei.

Os fundos são destinados às redes escolares ligadas aos partidos United Torah Judaism e Shas, conhecidas como Chinuch Atzmai e Ma'ayan HaChinuch HaTorani. Parlamentares de diferentes espectros políticos contestaram as alegações do Ministério das Finanças de que foram informados no ano anterior sobre a alocação dos recursos antes da aprovação formal.

Antes da votação, o Yesh Atid destacou que o processo ocorria no Dia da Memória do Holocausto e criticou a priorização dos recursos, mencionando que no orçamento anterior houve um corte de 3,3 milhões de NIS em auxílio a sobreviventes do Holocausto, enquanto agora se discutia a transferência de quase 100 milhões para escolas Haredi. O partido classificou essa decisão como reflexo das prioridades dos "evasores do serviço militar e dos corruptos".

A oposição boicotou a votação, retirando-se da sessão, em protesto contra o atraso na entrega do material de apoio sobre o nível de educação secular nas escolas Haredi, exigido pelo Supremo Tribunal para análise pelos parlamentares. A documentação foi disponibilizada apenas quando o debate estava quase concluído.

Dados fornecidos pelo Ministério da Educação indicam que apenas 6,9% dos professores de inglês do ensino fundamental nas escolas associadas ao United Torah Judaism possuem qualificação adequada, enquanto somente 13,6% dos professores de matemática do ensino médio são certificados. Parlamentares ressaltaram a preocupação com o financiamento de instituições que não cumprem os requisitos mínimos de ensino das disciplinas básicas.

O deputado Vladimir Beliak, do Yesh Atid, criticou a condução da votação, afirmando que a comissão foi impedida de analisar adequadamente cerca de 700 páginas de dados fornecidos pelo Ministério da Educação pouco antes da decisão. Outro parlamentar do Yesh Atid, Moshe Tur-Paz, classificou a votação como ilegítima.

Escolas para meninas Haredi geralmente oferecem maior carga de estudos seculares em comparação às escolas para meninos, que possuem ensino secular muito limitado. Relatórios recentes indicam que essas instituições quase não possuem professores qualificados para disciplinas como inglês, utilizando livros didáticos apenas durante inspeções do Ministério da Educação, enquanto o governo mantém uma postura permissiva.

Apesar das críticas, o orçamento estatal de 2026, aprovado no mês anterior, incluiu aumentos significativos para a educação Haredi. Durante a votação do orçamento, a coalizão governista inseriu uma reserva surpresa para destinar cerca de 800 milhões de NIS (255 milhões de dólares) a programas e instituições ultraortodoxas, incluindo yeshivas.

No total, os recursos para instituições educacionais Haredi aumentaram mais de 1 bilhão de NIS, passando de 4,1 bilhões para 5,17 bilhões de NIS (de 1,3 para 1,65 bilhão de dólares). O Procurador-Geral Gali Baharav-Miara bloqueou posteriormente essa transferência, alegando possível violação de decisões judiciais que proíbem benefícios específicos a homens Haredi que não prestaram serviço militar.

Após a votação, o deputado Yitzhak Pindrus, do United Torah Judaism, afirmou que não existem professores sem certificação nas escolas Haredi e que o nível de inglês e matemática nas escolas Beit Yaakov para meninas é o mais alto do país.

Uri Regev, presidente da organização Hiddush – Liberdade de Religião para Israel, informou que tentaram convencer o tribunal a analisar o mérito da transferência dos fundos, especialmente a exigência de cumprimento integral do currículo básico, mas os juízes preferiram focar na legalidade formal do processo neste momento. A organização foi uma das partes que apresentaram a petição contra a alocação dos recursos.

Regev também criticou a apresentação tardia dos dados pelo Ministério da Educação e a falta de adiamento da votação para permitir o estudo do material, afirmando que isso fundamentará a continuação do desafio legal contra a transferência dos fundos.

Além da discussão sobre a educação Haredi, a comissão iniciou deliberações para formular um projeto de lei de assistência econômica para empresas afetadas pela guerra, com parlamentares defendendo a criação de mecanismos legais para garantir compensações em situações semelhantes no futuro.

Análise estratégica: A aprovação do financiamento adicional para as escolas Haredi, apesar das controvérsias sobre a qualidade do ensino e a legalidade do processo, evidencia a complexidade política e social em Israel envolvendo a comunidade ultraortodoxa. O aumento significativo dos recursos para essas instituições reflete a influência política dos partidos Haredi na coalizão governista, mas também gera tensões com setores que cobram maior integração educacional e cumprimento do currículo nacional.

O impasse judicial e legislativo pode prolongar a disputa sobre a alocação dos fundos, impactando a percepção pública sobre a transparência e a equidade na distribuição de recursos públicos. A continuidade do debate sobre a educação Haredi pode influenciar futuras reformas educacionais e políticas de financiamento, especialmente considerando a importância do serviço militar e da integração social para a coesão nacional.

Além disso, a discussão paralela sobre auxílio econômico em tempos de guerra indica que o governo busca equilibrar prioridades sociais e econômicas em um contexto de instabilidade regional, o que pode afetar a agenda política e as negociações internas no parlamento nos próximos meses.