A 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Delhi em setembro de 2026, reuniu os líderes dos 11 países membros para discutir temas centrais da agenda global, incluindo os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O bloco, que representa cerca de 40% do PIB mundial, adotou a Declaração de Nova Delhi, documento que reflete consensos e divergências entre os integrantes.
Apesar das tensões provocadas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o grupo evitou condenar diretamente qualquer país envolvido no conflito. A declaração expressou preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e pediu "máxima moderação" e a evitação de ações que agravem a situação, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos, Israel, Irã ou os países do Golfo. O presidente chinês Xi Jinping defendeu uma solução política e um cessar-fogo abrangente e permanente.
A cúpula também abordou a guerra na Ucrânia, outro ponto de divergência, especialmente por conta da participação da Rússia no BRICS. O documento pediu que disputas internacionais sejam resolvidas por meio do diálogo e da diplomacia, criticando sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, uma posição alinhada aos interesses russos. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi destacou que o BRICS não é um projeto anti-Ocidente, mas sim uma plataforma para que o Sul Global exerça maior influência na governança mundial.
No campo econômico, a declaração condenou medidas tarifárias unilaterais e barreiras comerciais que distorcem o comércio internacional, sem citar diretamente os Estados Unidos, que impuseram tarifas a membros do bloco. O documento também criticou a guerra comercial global e defendeu reformas em instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, para ampliar a representatividade dos países em desenvolvimento.
Em relação à questão palestina, o BRICS adotou uma posição mais clara, manifestando oposição à deslocação forçada de palestinos e às tentativas de alterar a geografia ou demografia dos territórios ocupados. O grupo pediu o fim da guerra em Gaza, acesso humanitário irrestrito, apoio à UNRWA e o reconhecimento pleno da Palestina como Estado membro da ONU, reiterando o apoio à solução de dois Estados com base nas fronteiras de 1967.
A cúpula evidenciou as dificuldades do BRICS em harmonizar interesses diversos, especialmente entre membros com posições opostas nos conflitos regionais. Ainda assim, a capacidade do bloco de manter o diálogo e adotar declarações conjuntas, mesmo que com linguagem genérica, foi vista como um avanço diplomático, especialmente para a Índia, que atuou como mediadora para viabilizar o consenso.
O encontro reforçou o papel do BRICS como um fórum importante para os países emergentes influenciarem a ordem global, apesar das limitações em promover ações coletivas diante de crises geopolíticas complexas. A ampliação do grupo para 11 membros, incluindo Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, amplia seu peso demográfico e econômico, mas também aumenta os desafios para a unidade política.
A fotografia oficial da cúpula, que reuniu os chefes de delegação, simboliza a busca por cooperação em meio a um cenário internacional marcado por conflitos e disputas comerciais, refletindo a dinâmica multifacetada do BRICS em 2026.
Crédito da imagem: Presidential Press and Information Office (CC BY 4.0).