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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Curdos iranianos exilados no Iraque condicionam retorno à queda da teocracia no Irã

Curdos iranianos exilados no Iraque afirmam que só retornarão ao Irã se o regime teocrático for derrubado. Vivendo em condições precárias na região autônoma do Curdistão iraquiano desde a Revolução Islâmica de 1979, eles enfrentam ameaças constantes de milícias pró-Irã e desconfiam de interesses estrangeiros. A situação reflete a complexidade do conflito regional e as dificuldades desses grupos em garantir segurança

Curdos iranianos exilados no Iraque condicionam retorno à queda da teocracia no Irã

Desde a Revolução Islâmica de 1979, milhares de curdos iranianos vivem exilados no Iraque, principalmente na região autônoma do Curdistão iraquiano, onde enfrentam dificuldades sociais e políticas. Muitos deles foram forçados a fugir ainda crianças, deixando para trás suas casas na província de Kermanshah, no noroeste do Irã. Atualmente adultos, esses curdos mantêm a esperança cautelosa de que o conflito em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã possa enfraquecer o regime teocrático iraniano, abrindo caminho para seu retorno.

No campo de refugiados Kawa, localizado no distrito de Qushtapa, em Erbil, vivem mais de 300 famílias curdas iranianas que foram deslocadas após a revolução que instaurou a República Islâmica. Muitos descendem de combatentes que participaram da resistência curda contra o regime iraniano, e alguns ainda realizam ações contra forças de segurança iranianas a partir do exílio. Apesar disso, eles vivem à margem da sociedade curda iraquiana, sem cidadania, direitos civis plenos, acesso a serviços básicos ou mesmo a possibilidade legal de adquirir propriedades.

A desconfiança em relação a potências estrangeiras é profunda entre esses refugiados. Relatos recentes indicaram que a administração Trump cogitou solicitar apoio deles para operações terrestres contra o Irã, o que foi recebido com ceticismo. Muitos acreditam que seu destino tem sido manipulado por interesses geopolíticos alheios às suas aspirações legítimas. Um membro da oposição curda iraniana, que fugiu do Irã aos 11 anos, afirmou que só retornaria ao país caso o regime teocrático fosse derrubado e garantisse segurança e direitos políticos aos curdos.

A história dos curdos iranianos é marcada por episódios de repressão e traições políticas. A efêmera República de Mahabad, apoiada pela União Soviética, caiu em 1946, e desde então os curdos enfrentaram diversas ofensivas, incluindo o uso de armas químicas pelo regime iraniano em 1988. A instabilidade regional, como a queda do presidente sírio Bashar al-Assad em 2024, também afetou suas posições territoriais e políticas.

Militantes curdos iranianos baseados no Iraque têm sido alvo de ataques constantes por milícias apoiadas pelo Irã desde o início do conflito atual. Com cerca de 8.000 a 10.000 combatentes, esses grupos carecem de armamentos modernos e não dispõem de capacidade aérea, o que limita suas operações. Eles solicitam garantias de segurança, especialmente cobertura aérea, para enfrentar os ataques de drones e mísseis iranianos.

O comandante Rebaz Sharifi relatou que o momento não é propício para uma ofensiva terrestre devido ao domínio aéreo iraniano e ao risco elevado de baixas. A movimentação desses grupos tem provocado represálias quase diárias por parte das milícias pró-Irã, o que também levou famílias de combatentes a se deslocarem para áreas mais seguras próximas aos campos.

Além das ameaças militares, os refugiados enfrentam vigilância constante por parte da inteligência iraniana, que monitora suas atividades e contatos familiares no Irã. Essa situação gera um clima de insegurança permanente, dificultando a organização política e social da comunidade.

A condição dos curdos iranianos no Iraque representa um desafio humanitário e político complexo. A ausência de cidadania e direitos plenos limita sua integração e perpetua a marginalização. A possibilidade de retorno ao Irã depende de mudanças profundas no regime, algo incerto diante da resiliência demonstrada pela liderança teocrática.

No cenário estratégico, o envolvimento dos curdos iranianos no conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel pode influenciar a dinâmica regional, mas sua capacidade militar limitada e a forte repressão iraniana restringem seu impacto imediato. Caso o conflito se intensifique, é provável que esses grupos continuem a ser alvos de ataques, aumentando a instabilidade na fronteira entre Iraque e Irã.

Para o futuro, a situação dos curdos iranianos exilados dependerá da evolução política no Irã e do interesse das potências externas em apoiar suas reivindicações. A queda da teocracia, embora desejada por muitos, permanece uma hipótese distante, e o retorno seguro desses refugiados exigirá garantias concretas que ainda não estão claras no horizonte político atual.