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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Dissidentes exilados relatam que Irã está detendo familiares, amigos e confiscando propriedades

O governo do Irã tem detido familiares e confiscado bens de opositores exilados, intensificando a repressão em meio ao conflito com EUA e Israel. Ativistas denunciam perseguição que visa silenciar vozes críticas dentro e fora do país, com prisões, bloqueios e ameaças.

Dissidentes exilados relatam que Irã está detendo familiares, amigos e confiscando propriedades

O governo do Irã tem intensificado a repressão contra opositores, estendendo suas ações para além das fronteiras nacionais ao deter familiares e amigos de dissidentes exilados e confiscar bens pertencentes a estas pessoas. Essa escalada ocorre em meio ao conflito iniciado em 28 de fevereiro, envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel, e reflete um esforço do regime para silenciar vozes críticas, tanto dentro quanto fora do país.

Ativistas que vivem no exterior desempenham papel fundamental no monitoramento dessas ações repressivas, apesar das dificuldades impostas pelo bloqueio da internet durante os protestos em massa que ocorreram no país no início do ano. Organizações de direitos humanos indicam que milhares de manifestantes foram mortos pelas forças de segurança durante essas manifestações.

O conflito com os Estados Unidos e Israel tem agravado a pressão sobre qualquer pessoa que mantenha contato com a mídia internacional ou com ativistas no exterior. Recentemente, essa pressão se expandiu para incluir ameaças e detenções de familiares de opositores exilados. Em 15 de março, agentes de inteligência em Teerã prenderam o irmão de Hossein Razzagh, um ex-prisioneiro político que fugiu para a Europa no ano anterior. Razzagh afirmou que seu irmão, Ali, não possui envolvimento político, e que a detenção visa pressioná-lo diretamente.

Ali foi levado de sua residência e conseguiu fazer uma breve ligação para sua esposa a partir de um centro de detenção do Ministério da Inteligência iraniano, mas desde então não há mais contato. Familiares e advogados foram informados que o caso está sob revisão, mas não há detalhes adicionais.

Outro caso envolve Behnam Chegini, ativista exilado na França, cuja sobrinha de 20 anos foi detida por uma semana em março na cidade de Arak, logo após retornar de Teerã, onde sua universidade havia sido fechada devido à guerra. Ela foi liberada sob fiança, mas permanece proibida de viajar. Chegini acredita que a detenção ocorreu por causa de sua relação familiar.

Sareh Sedighi, ativista que teve sua sentença de morte revertida em 2021, relatou que sua mãe foi detida em Urmia no mês passado. A detenção teria o objetivo de silenciá-la, e a mãe de Sedighi necessita de cuidados médicos constantes, incluindo doses diárias de insulina.

Mahshid Nazemi, ex-prisioneira política e ativista residente na França, informou que pelo menos um de seus amigos foi detido e interrogado sobre seus contatos com ela.

Além das detenções, o Judiciário iraniano tem confiscado propriedades de figuras públicas críticas ao regime, com base em uma lei anti-espionagem aprovada durante o conflito de 12 dias com Israel no ano anterior. Essa legislação penaliza atividades midiáticas e culturais consideradas favoráveis aos inimigos do Irã.

Em 31 de março, um porta-voz do Judiciário anunciou que mais de 200 processos de confisco foram emitidos ou estão em andamento. O ator iraniano Borzou Arjmand, residente na Califórnia, descobriu que seus bens foram confiscados após seu apoio público aos protestos de 2022. Desde então, suas contas bancárias foram bloqueadas. Arjmand também apoia Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, que lidera um movimento de oposição no exterior e tem manifestado suporte aos ataques dos Estados Unidos e Israel.

Outros exilados, como o jogador de futebol Sardar Azmoun, o músico Mohsen Yeghaneh e o professor universitário Ali Sharifi Zarchi, também tiveram seus nomes incluídos em listas de confisco, principalmente por apoiarem protestos contra o governo nas redes sociais.

As autoridades iranianas têm advertido que novos protestos contra o regime serão reprimidos com força letal. A mídia estatal frequentemente reporta prisões, classificando os detidos como agentes de potências estrangeiras ou traidores.

O grupo Iran Human Rights, com sede na Noruega, tem monitorado centenas de detenções desde o início do conflito, utilizando fontes internas e reportagens oficiais, mas acredita que o número real seja muito maior. Entre os detidos está a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, retirada de sua casa por agentes de inteligência em Teerã. Sotoudeh, de 64 anos, estava em liberdade provisória por motivos de saúde.

O funcionamento do sistema judiciário está comprometido, com relatos de que muitos juízes têm se ausentado devido aos ataques a prédios ligados ao Judiciário durante os bombardeios israelenses. As condições nas prisões são preocupantes, com relatos de superlotação e deterioração das condições de saúde dos detidos.

Esse ambiente de repressão tem impulsionado esforços para unificar a oposição iraniana dispersa no exterior. Antes do conflito, ativistas começaram a organizar o Congresso da Liberdade do Irã, uma conferência em Londres que visa reunir grupos pró-democracia e fomentar uma coalizão para promover uma transição política no país.

Historicamente, o regime iraniano tem suprimido a oposição organizada, e o atual conflito parece agravar essa dinâmica. Ativistas no exterior denunciam que a população iraniana está sendo pressionada por múltiplos lados, com ações repressivas internas e ataques externos, criando um cenário de duplo aprisionamento.

A continuidade dessas práticas repressivas pode aprofundar a fragmentação política interna e dificultar a mobilização popular, ao mesmo tempo em que amplia a tensão internacional. O futuro próximo pode ver um aumento das iniciativas diplomáticas e de pressão internacional para proteger os direitos humanos no Irã, enquanto o regime busca manter seu controle diante de desafios internos e externos.