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domingo, 04 de janeiro de 2026
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DR Congo declara emergência global por surto de Ebola com casos em Uganda

OMS declara surto de Ebola na RDC emergência global após casos confirmados também em Uganda, destacando risco de expansão regional da doença.

DR Congo declara emergência global por surto de Ebola com casos em Uganda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de Ebola na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC), como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. A medida foi tomada após a confirmação de 246 casos suspeitos e 80 mortes relacionadas ao vírus, além da disseminação para países vizinhos, incluindo Uganda. Embora o surto não atenda aos critérios para uma pandemia, a OMS alertou para o risco significativo de expansão local e regional da doença.

O vírus responsável pelo surto é o Bundibugyo, uma variante do Ebola para a qual ainda não existem medicamentos ou vacinas aprovados. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, fadiga, dor de cabeça e dor de garganta, evoluindo para vômitos, diarreia, erupções cutâneas e hemorragias. Até o momento, oito casos foram confirmados em laboratório, distribuídos em três zonas de saúde: Bunia, capital de Ituri, e as cidades mineradoras de Mongwalu e Rwampara.

Além disso, um caso foi confirmado na capital Kinshasa, envolvendo um paciente que retornou de Ituri. Em Uganda, foram registrados dois casos confirmados, incluindo a morte de um homem de 59 anos, cidadão congolês, cujo corpo foi repatriado para a RDC. Um laboratório também confirmou um caso na cidade de Goma, atualmente sob controle dos rebeldes do grupo M23.

A OMS destacou que a situação de segurança precária e a crise humanitária na RDC, somadas à alta mobilidade populacional e à presença de muitas unidades de saúde informais, aumentam o risco de propagação do vírus. Os países vizinhos são considerados de alto risco devido ao comércio e ao trânsito entre as fronteiras. Por isso, a OMS recomendou a criação de centros de operações de emergência na RDC e em Uganda para monitorar, rastrear e implementar medidas de prevenção.

Para conter a disseminação, os casos confirmados devem ser isolados e tratados até que dois testes específicos para o vírus Bundibugyo, realizados com intervalo mínimo de 48 horas, apresentem resultado negativo. Nos países vizinhos, é recomendada a intensificação da vigilância epidemiológica e dos sistemas de notificação de saúde. A OMS também aconselhou que não sejam impostas restrições de fronteira ou comércio, pois essas medidas não têm respaldo científico e podem ser motivadas por medo.

O diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que há incertezas significativas sobre o número real de infectados e a extensão geográfica do surto. O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976 na região que hoje corresponde à RDC, e acredita-se que sua origem esteja em morcegos. Esta é a 17ª ocorrência da doença no país, que se transmite por contato direto com fluidos corporais ou por meio de feridas abertas, causando hemorragias graves e falência de órgãos.

A taxa média de mortalidade do Ebola é de aproximadamente 50%, segundo a OMS. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) expressou preocupação com o risco elevado de propagação, especialmente devido às características urbanas de Rwampara e Bunia, além das atividades de mineração em Mongwalu. O diretor executivo da Africa CDC, Dr. Jean Kaseya, destacou que o intenso movimento populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos torna imprescindível a coordenação regional.

Nos últimos 50 anos, cerca de 15 mil pessoas morreram de Ebola em países africanos. O surto mais letal na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, com quase 2.300 mortes. No ano passado, um surto em uma região remota causou 45 óbitos. O atual surto representa um desafio adicional para as autoridades de saúde pública devido à instabilidade política, à mobilidade da população e à ausência de tratamentos específicos para a variante Bundibugyo.

A resposta internacional e regional será crucial para limitar a disseminação do vírus, especialmente considerando a vulnerabilidade das populações locais e a fragilidade dos sistemas de saúde. A implementação de medidas de vigilância rigorosas, o fortalecimento das capacidades laboratoriais e a cooperação entre os países afetados serão determinantes para controlar o surto. A continuidade do monitoramento da situação e a adaptação das estratégias de contenção poderão evitar uma escalada maior da epidemia na região e além.

Em resumo, o surto de Ebola na RDC e sua propagação para Uganda evidenciam a necessidade de uma resposta coordenada e eficaz para enfrentar uma doença altamente letal em um contexto de desafios humanitários e de segurança. O acompanhamento atento dos desdobramentos e o apoio internacional serão essenciais para mitigar os impactos sanitários e sociais dessa emergência de saúde pública.