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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Economia do Líbano sofre com guerra renovada e crise global de combustíveis

A economia do Líbano enfrenta grave crise devido à guerra renovada com Israel e à alta global dos preços de combustíveis, agravando desemprego e deslocamentos no país.

Economia do Líbano sofre com guerra renovada e crise global de combustíveis

Desde o início da guerra entre Israel e Hezbollah em 2006, o Líbano tem enfrentado desafios constantes que agora se intensificam com o retorno do conflito e uma crise global de combustíveis que afeta diretamente sua economia. Mario Habib, proprietário de uma barbearia no bairro Furn el-Shebbak em Beirute, observa uma queda significativa no movimento de clientes, reflexo da deterioração econômica causada pela guerra e pela escassez de petróleo, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz por parte dos Estados Unidos e Irã.

O custo de vida no Líbano aumentou substancialmente, com o preço da gasolina dobrando e os produtos básicos, incluindo insumos para pequenos negócios como o de Mario, tornando-se mais caros. Apesar disso, ele mantém os preços estáveis para garantir que seus clientes possam continuar frequentando seu estabelecimento em busca de um momento de normalidade.

Em 2025, o Banco Mundial havia registrado um crescimento modesto de 3,5% no PIB do país, mas os eventos recentes, incluindo a retomada das hostilidades em março de 2026, apagaram essa recuperação. A inflação atingiu seu ponto mais alto em 18 meses, e projeções indicam crescimento zero do PIB para 2026 caso o conflito persista.

O agravamento da situação começou em 2019, com uma crise bancária que restringiu o acesso da população ao dinheiro e provocou uma desvalorização de mais de 90% da moeda local. A explosão no porto de Beirute em 2020 agravou ainda mais o colapso dos serviços públicos e impulsionou uma onda de emigração. A guerra entre Hezbollah e Israel, iniciada em 2023, deslocou milhares de pessoas, muitas das quais ainda não retornaram.

Em 2024, a intensificação dos ataques israelenses resultou no deslocamento de mais de um milhão de libaneses. O acordo de cessar-fogo em novembro daquele ano trouxe uma breve recuperação econômica, mas os ataques retomados em março de 2026 destruíram essa esperança, com mais de 1,2 milhão de deslocados, vilarejos no sul do país devastados e danos significativos em áreas do Vale do Bekaa e nos subúrbios de Beirute.

Além dos impactos diretos da guerra, o Líbano sofre com o aumento global dos preços do petróleo, consequência do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afeta o custo dos combustíveis e, consequentemente, o custo de vida e produção no país.

Especialistas econômicos destacam que o Líbano enfrenta um momento crítico, marcado por uma sequência de crises que comprometem a viabilidade econômica do país. A instabilidade política e o colapso institucional dificultam a atração de investimentos e o funcionamento das empresas, afetando toda a sociedade, sem exceções.

Setores como agricultura, comércio e turismo, que representam 77% das perdas econômicas, são fundamentais para a renda das camadas mais vulneráveis da população, que enfrentam risco crescente de desemprego e pobreza. Estimativas recentes apontam perdas de cerca de 3 bilhões de dólares em 2026, valor que deve aumentar à medida que os ataques continuam.

O impacto social é profundo, com a maioria dos deslocados pertencendo à comunidade xiita, base de apoio do Hezbollah. A movimentação dessas populações para outras regiões, muitas vezes mistas ou homogêneas, tem exacerbado divisões sectárias, um fenômeno que analistas políticos consideram parte de uma estratégia para enfraquecer a coesão social do Líbano.

A redução das remessas internacionais, que somaram aproximadamente 6,6 bilhões de dólares em 2023, também contribui para a deterioração econômica. O aumento dos preços do petróleo nos países do Golfo, principal origem dessas transferências, deve reduzir significativamente esse fluxo de recursos.

A crise econômica e social pode aprofundar as fissuras internas, com elites políticas historicamente utilizando grupos vulneráveis como bodes expiatórios para desviar críticas, o que pode agravar tensões e dificultar a construção de solidariedade entre as classes trabalhadoras.

Diante desse cenário, o Líbano enfrenta desafios complexos para estabilizar sua economia e sociedade. A continuidade do conflito e o impacto da crise global de combustíveis ameaçam a recuperação, exigindo esforços coordenados para mitigar os efeitos humanitários e econômicos. A reconstrução e a recuperação dependem não apenas do cessar-fogo duradouro, mas também de reformas estruturais que possam restaurar a confiança dos investidores e fortalecer as instituições do país.

No curto prazo, a situação permanece incerta, com a possibilidade de novas escaladas que podem agravar ainda mais o quadro econômico e social. A comunidade internacional e os atores regionais terão papel crucial na busca por soluções que promovam estabilidade e desenvolvimento sustentável no Líbano.