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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Enviado de Trump se reúne com Netanyahu após diálogo com Hamas sobre plano de paz em Gaza

Jared Kushner se reuniu com Netanyahu após diálogo com Hamas para tentar avançar plano de paz dos EUA para Gaza, que enfrenta rejeição israelense e desafios políticos.

Enviado de Trump se reúne com Netanyahu após diálogo com Hamas sobre plano de paz em Gaza

Jared Kushner, enviado especial do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para o Oriente Médio, realizou uma reunião com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Jerusalém. O encontro ocorreu após Kushner ter mantido conversas incomuns com representantes do Hamas no Egito, visando discutir a implementação do plano de paz para Gaza apoiado pelos EUA. A visita de Kushner a Israel marca uma tentativa de avançar um acordo que enfrenta resistência significativa, principalmente por parte do governo israelense.

Na semana anterior, Israel rejeitou formalmente o plano de paz de 15 pontos proposto por Trump, que inclui a retirada das tropas israelenses de Gaza e a reconstrução da região sob uma nova administração civil palestina. A rejeição ocorreu mesmo após o Conselho de Paz, liderado por Trump, anunciar um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados na Faixa de Gaza. O Conselho de Paz foi criado inicialmente para promover a paz em Gaza, mas expandiu sua atuação para conflitos globais.

Além de Kushner, os enviados do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov e Tony Blair, também se encontraram com Netanyahu com o objetivo de impulsionar a proposta de paz. O Conselho busca demonstrar que o plano ainda pode avançar, apesar da firme oposição do premiê israelense. O Hamas concordou em entregar suas armas em troca de uma retirada gradual das tropas israelenses, mas Israel exige o desarmamento total do grupo antes de qualquer retirada.

Outro ponto de divergência é o destino das armas entregues pelo Hamas. Israel insiste que elas sejam destruídas, rejeitando a ideia de que sejam armazenadas por um comitê palestino tecnocrático, temendo que o Hamas possa recuperá-las. Além disso, há resistência à participação de Turquia e Catar na supervisão do cumprimento das condições por parte do Hamas.

A posição de Netanyahu tem se tornado mais inflexível, possivelmente influenciada pelo cenário político interno, com as eleições gerais previstas para outubro de 2026. Seu partido enfrenta dificuldades nas pesquisas, e membros da coalizão governista defendem uma postura mais dura em relação a Gaza. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, conhecido por suas posições extremas, defende ações militares intensificadas contra o Hamas, incluindo "eliminação direcionada" de dezenas de pessoas na região.

No domingo, Kushner também se reuniu com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e liderou um encontro com uma delegação do Hamas, chefiada pelo novo líder Khalil al-Hayya. Essa foi a primeira reunião de alto nível entre o enviado americano e o Hamas desde o acordo de cessar-fogo firmado no ano anterior. Participaram ainda representantes do Conselho de Paz, do Egito, Catar e Turquia, países que atuam como mediadores no processo de paz.

Embora não tenha sido divulgada uma declaração oficial sobre o conteúdo das negociações, relatos indicam que os temas centrais foram o desarmamento do Hamas, a retirada das tropas israelenses e a facilitação de esforços humanitários em Gaza. Fontes próximas ao encontro mencionaram a intenção de transferir todas as responsabilidades governamentais para um comitê nacional palestino, garantindo que o Hamas não tenha papel na administração futura da região, além da possível implantação de uma força internacional para estabilizar a área.

Em 31 de julho, o plano de paz foi detalhado como um roteiro para a desmilitarização e reconstrução de Gaza, mas a rejeição de Israel gerou críticas de vários países da região, incluindo Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Paquistão e Indonésia. Após a rejeição, houve uma breve redução nos ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza, embora as operações militares tenham continuado de forma intermitente.

Desde o cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025, o Exército de Defesa de Israel (IDF) tem realizado ataques quase diários contra alvos ligados ao Hamas e à Jihad Islâmica. O conflito, que teve início com o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, resultou em milhares de mortes e deslocamentos massivos na região. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, estima que mais de 1.200 pessoas foram mortas desde o cessar-fogo, incluindo centenas de crianças.

As tensões permanecem altas, com acusações mútuas entre Israel e Hamas sobre violações do cessar-fogo. A guerra desencadeada em 2023 deixou um impacto humanitário severo, com cerca de 1,9 milhão de pessoas deslocadas, o que representa aproximadamente 90% da população de Gaza.

A resistência de Netanyahu em aceitar o plano de paz dos EUA indica que as negociações continuarão complexas. A influência política interna, a desconfiança em relação ao Hamas e a preocupação com a segurança nacional moldam a postura israelense. Por outro lado, o envolvimento de atores regionais e internacionais no processo de mediação sugere que esforços diplomáticos persistirão, embora o caminho para uma solução definitiva ainda seja incerto.

A continuidade das conversas entre Kushner, Netanyahu e representantes do Hamas poderá definir os próximos passos para a estabilidade em Gaza. A possibilidade de uma força internacional estabilizadora e a transferência de responsabilidades para uma administração palestina civil são pontos cruciais para o avanço do acordo. No entanto, a oposição interna em Israel e as condições rígidas impostas ao Hamas podem dificultar a implementação do plano.

Em termos estratégicos, o desfecho dessas negociações terá impacto direto na segurança regional e na dinâmica das relações entre Israel, os Estados Unidos e os países árabes envolvidos. Um acordo que contemple o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza sob uma administração civil poderia reduzir a violência e abrir espaço para a reconstrução econômica e social da região. Por outro lado, a rejeição persistente do plano pode levar à continuidade dos confrontos e ao agravamento da crise humanitária.

Assim, o cenário futuro dependerá da capacidade dos mediadores em conciliar as demandas de segurança de Israel com as aspirações políticas e humanitárias dos palestinos, além do equilíbrio das pressões internas em cada lado. A evolução desse processo será fundamental para a estabilidade do Oriente Médio nos próximos meses.