Geopolítica Estratégica

GEOPOLÍTICA

ESTRATÉGICA

domingo, 04 de janeiro de 2026
⚡ BREAKING:
⚡ BREAKING NEWS
← Voltar para início
saude

Espanha inicia evacuação de navio de cruzeiro com surto de hantavírus em Tenerife

Espanha inicia evacuação do navio MS Hondius em Tenerife após surto de hantavírus, com passageiros sendo repatriados e monitorados para evitar contágio.

Espanha inicia evacuação de navio de cruzeiro com surto de hantavírus em Tenerife

A Espanha começou a evacuar os passageiros do navio de cruzeiro MS Hondius, que está ancorado próximo à costa de Tenerife, nas Ilhas Canárias, após a identificação de um surto de hantavírus a bordo. A operação de retirada está sendo conduzida sob rígidos protocolos de segurança para evitar a propagação do vírus, que já causou a morte de um passageiro e mantém outros sob monitoramento.

A ministra da Saúde, Mónica García, informou que todos os passageiros permanecem assintomáticos até o momento e que a evacuação está ocorrendo dentro da normalidade prevista. Os passageiros serão divididos por nacionalidade e transportados em pequenos barcos até a costa, onde aeronaves charter estarão prontas para levá-los de volta aos seus países de origem.

A prioridade inicial é para os 14 cidadãos espanhóis, seguidos por passageiros da Holanda, Grécia e Alemanha, além de parte da tripulação. Posteriormente, estão previstos voos para o Reino Unido, Estados Unidos e, por último, uma evacuação para a Austrália, prevista para ocorrer na segunda-feira.

O MS Hondius chegou ao porto de Granadilla antes do amanhecer do domingo, um mês após a morte do primeiro passageiro devido ao vírus. A embarcação permanece ancorada em alto-mar, com patrulhas da polícia militar marítima e uma operação terrestre significativa para coordenar o desembarque seguro dos mais de 100 passageiros e tripulantes.

Equipes médicas embarcaram no navio por volta das 7h locais para realizar exames e verificar sinais da infecção. Um perímetro de segurança de uma milha náutica foi estabelecido ao redor do navio para impedir o acesso não autorizado e minimizar riscos.

No hospital Candelaria, em Tenerife, dezenas de especialistas em terapia intensiva estão de prontidão para atender qualquer caso grave que possa surgir durante a transferência. Uma unidade de isolamento equipada com leito, ventilador e kits de teste está preparada para receber pacientes infectados.

O chefe da unidade de terapia intensiva, Mar Martin, destacou que, embora o hantavírus seja desconhecido para a equipe, os protocolos para lidar com vírus e suas complicações estão estabelecidos e a equipe está treinada para isso.

A operação é considerada inédita pelo Ministério da Saúde devido à raridade da cepa do vírus Andes, responsável pelo surto. A ministra reforçou que o risco de contágio para a população em geral é baixo e alertou contra alarmismos e desinformação que possam prejudicar a saúde pública.

Medidas de segurança foram reforçadas no porto industrial de Granadilla, com a presença da polícia militar e equipes de resposta a desastres, além da instalação de tendas para recepção e restrição de acesso ao local.

Os cidadãos espanhóis evacuados serão levados a Madrid, onde passarão por quarentena obrigatória no hospital militar Gómez Ulla. A duração do isolamento é incerta, considerando que o período de incubação do hantavírus pode chegar a nove semanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, para acompanhar a evacuação em Tenerife. Ele elogiou a resposta das autoridades espanholas e ressaltou que o risco de contágio em larga escala é baixo, destacando a importância da confiança nas medidas adotadas.

O surto tem ligação com um aterro sanitário na região mais ao sul da Argentina, local frequentado por observadores de aves. O vírus é transmitido por roedores e, embora raro, pode ocorrer transmissão entre humanos, o que já resultou em três mortes entre passageiros do cruzeiro.

A chegada do navio gerou preocupações locais, com protestos de trabalhadores portuários e declarações do presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, que inicialmente se opôs à entrada do navio no porto devido à duração do desembarque. O governo central de Madrid precisou intervir para garantir a continuidade da operação.

Clavijo chegou a sugerir a possibilidade de um rato infectado sair do navio e representar risco à população, hipótese que foi descartada pelas autoridades sanitárias. A população local, em geral, demonstra confiança nas medidas de contenção adotadas.

Cerca de 30 tripulantes permanecerão no MS Hondius para conduzir o navio de volta à Holanda, enquanto a maioria dos passageiros segue para quarentena e monitoramento.

Este episódio destaca a complexidade do manejo de doenças infecciosas em ambientes fechados como navios de cruzeiro e a importância de protocolos rigorosos para evitar surtos maiores. A operação em Tenerife pode servir como referência para futuras respostas a emergências sanitárias em navios.

A continuidade do monitoramento dos evacuados e a duração da quarentena serão determinantes para evitar a disseminação do hantavírus. As autoridades espanholas e internacionais permanecem atentas para garantir que o controle da situação seja mantido, minimizando riscos para a população local e global.

A resposta coordenada entre governo, equipes médicas e organizações internacionais reforça a importância da cooperação em situações de saúde pública que envolvem múltiplas nacionalidades e jurisdições.