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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Espanha proíbe contratos com Palantir por preocupações de segurança nacional

O governo da Espanha proibiu novas contratações com a empresa americana Palantir por riscos à segurança nacional, seguindo ações similares na França e Alemanha.

Espanha proíbe contratos com Palantir por preocupações de segurança nacional

O governo espanhol determinou que empresas estatais interrompam suas relações comerciais com a empresa norte-americana Palantir, especializada em tecnologia para defesa e análise de dados. A decisão segue medidas semelhantes adotadas recentemente por França e Alemanha, que também restringiram o uso dos serviços da companhia em suas agências governamentais. Fontes internas de diversas empresas públicas indicaram que foi orientado não firmar novos contratos com a Palantir devido a receios de que informações confidenciais relacionadas à segurança nacional possam ser acessadas indevidamente pela empresa.

A proibição abrange empresas públicas que atuam nos setores de comunicações, defesa, tecnologia militar e infraestrutura pública. Contudo, o setor militar espanhol recebeu uma exceção, permitindo que o Ministério da Defesa mantenha um contrato vigente com a Palantir. Em 2023, o Centro de Inteligência das Forças Armadas da Espanha (CIFAS) assinou um acordo no valor de 16,5 milhões de euros, com validade até novembro do próximo ano.

No âmbito político, partidos integrantes da coalizão do primeiro-ministro Pedro Sánchez, como Sumar e Junts, solicitaram esclarecimentos ao governo sobre a continuidade do contrato do Ministério da Defesa com a empresa. Em resposta oficial, o governo garantiu que a Palantir não possui acesso a dados de cidadãos espanhóis.

A Palantir é reconhecida internacionalmente por fornecer softwares de análise de dados para forças militares, órgãos de segurança e departamentos governamentais em diversos países. Entre seus clientes estão o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e o Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Seu principal produto, o sistema operacional denominado 'Gotham', é utilizado por militares dos Estados Unidos e Israel para integrar informações variadas, como imagens de drones, mapas e transmissões ao vivo, com o objetivo de prever movimentos inimigos e planejar operações.

A relação próxima do CEO da Palantir, Alex Karp, com a administração do ex-presidente americano Donald Trump, além de um manifesto recente que defende a supremacia militar dos Estados Unidos, contribuiu para a crescente resistência à empresa na Europa. No mês anterior, o primeiro-ministro francês Sebastien Lecornu anunciou que a agência doméstica de inteligência da França substituiria a Palantir por um software desenvolvido pela empresa francesa ChapsVision. De forma semelhante, a Alemanha optou por utilizar a tecnologia da mesma empresa nacional para suas necessidades de análise de dados.

Além disso, em Londres, o prefeito Sadiq Khan bloqueou um contrato de 50 milhões de libras entre a Palantir e a Polícia Metropolitana, alegando violação das regras de contratação pública. No entanto, a Palantir mantém acordos significativos no Reino Unido, incluindo contratos de 330 milhões de libras com o NHS e 240 milhões de libras com o Ministério da Defesa britânico.

Essa série de restrições na Europa reflete um aumento da cautela em relação a fornecedores estrangeiros de tecnologia sensível, especialmente aqueles com vínculos estreitos a governos externos. A decisão espanhola pode influenciar outras nações a reavaliarem suas parcerias com empresas de tecnologia militar e de segurança, reforçando a proteção de dados estratégicos e a soberania tecnológica.

Em termos estratégicos, a exclusão da Palantir do mercado público espanhol pode impulsionar o desenvolvimento e a adoção de soluções locais ou europeias, fortalecendo a autonomia tecnológica do continente. Além disso, a movimentação conjunta de países europeus para limitar o uso de tecnologias americanas em setores críticos pode sinalizar uma tendência de diversificação das fontes tecnológicas em defesa e segurança, com impactos diretos nas relações transatlânticas.

No futuro próximo, espera-se que o governo espanhol e outros países europeus continuem a implementar políticas rigorosas para garantir a proteção de dados sensíveis, o que pode levar a um aumento da competição entre fornecedores nacionais e internacionais. Essa dinâmica poderá influenciar a configuração do mercado global de tecnologia militar e de segurança, com implicações para a cooperação internacional e a geopolítica da tecnologia.