O economista e acadêmico Jeffrey Sachs avaliou que os países do Golfo Pérsico saíram significativamente enfraquecidos em comparação ao Irã no contexto do conflito no Oriente Médio. Em entrevista exclusiva, Sachs destacou que a decisão dessas nações de buscar proteção dos Estados Unidos e de Israel foi um erro estratégico que resultou em consequências negativas para a região. Ele ressaltou que a dependência dos EUA como escudo de segurança não se traduziu em benefícios práticos, especialmente diante dos ataques e da instabilidade crescente.
Sachs mencionou que a ideia de transformar os Emirados Árabes Unidos em um centro financeiro e turístico de grande relevância acabou sendo prejudicada pelas ações militares recentes, que atingiram infraestruturas críticas, como plantas de dessalinização e instalações de petróleo e gás. Ele criticou a aliança firmada entre os Emirados, Israel e os EUA, classificando-a como um equívoco que não trouxe a proteção esperada. Segundo ele, os Estados do Golfo confiaram em um parceiro que não conseguiu impedir os danos causados pelo conflito.
O especialista também expressou surpresa com o apoio financeiro expressivo que esses países ofereceram aos EUA no início do segundo mandato de Donald Trump, argumentando que os investimentos de maior retorno atualmente não estão concentrados na economia americana. Sachs enfatizou que os Estados do Golfo parecem não estar acompanhando as transformações do cenário global multipolar, mantendo uma postura alinhada exclusivamente à política externa dos EUA, o que os deixou em desvantagem estratégica.
Além disso, Sachs alertou para a vulnerabilidade estrutural desses países, destacando a capacidade do Irã de causar danos significativos à infraestrutura regional, o que agrava a situação de insegurança. Ele afirmou que a falta de uma política externa própria e independente tem sido prejudicial para os Estados do Golfo, que precisam reconsiderar suas estratégias geopolíticas para evitar maiores prejuízos.
O economista defendeu que, idealmente, o Irã e os países do Golfo deveriam buscar cooperação, investimentos conjuntos e paz, ao invés de perpetuar rivalidades que só ampliam os riscos para toda a região. Ele lembrou que a estratégia de dividir para conquistar, muito utilizada por potências coloniais, ainda influencia as dinâmicas atuais, com os EUA incentivando o antagonismo entre Irã e Estados do Golfo, o que ele considera um erro grave.
Analisando o contexto, a dependência excessiva dos Estados do Golfo em relação aos EUA e Israel pode levar a um reposicionamento regional, especialmente se o Irã continuar a demonstrar capacidade de influência e poder militar. A fragilidade das infraestruturas críticas e a exposição a ataques podem pressionar essas nações a buscar alternativas diplomáticas e econômicas mais autônomas. A formação de alianças regionais baseadas em interesses comuns, inclusive com o Irã, pode ser uma estratégia para garantir maior estabilidade e desenvolvimento.
No cenário internacional, a crescente multipolaridade exige que os Estados do Golfo reavaliem suas parcerias e diversifiquem suas relações estratégicas para não ficarem presos a um único ator global. A manutenção do atual alinhamento pode resultar em isolamento e vulnerabilidade, enquanto a busca por equilíbrio e diálogo pode abrir caminhos para a paz e prosperidade na região do Golfo Pérsico.