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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Estados Unidos atacam Irã novamente e Teerã responde com ataques no Golfo e a petroleiros

Estados Unidos e Irã intensificam ataques mútuos no Golfo Pérsico, com bombardeios e ataques a petroleiros, elevando riscos para o transporte de petróleo e a estabilidade regional.

Estados Unidos atacam Irã novamente e Teerã responde com ataques no Golfo e a petroleiros

Nos últimos dias, a tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou significativamente após uma série de ataques mútuos que marcaram uma escalada no conflito na região do Golfo Pérsico. Na noite de segunda-feira, as forças americanas realizaram ataques contra alvos iranianos, dando continuidade a uma ofensiva que já durava três noites consecutivas. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que as operações começaram às 16h45, horário de Brasília, e tiveram como objetivo principal reduzir a capacidade iraniana de atacar civis e embarcações comerciais na região estratégica do Estreito de Hormuz.

Durante cerca de cinco horas, as forças norte-americanas atingiram instalações militares em várias localidades do Irã, incluindo Bushehr, Chah Bahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas. Relatos de veículos de comunicação estatais iranianos confirmaram explosões ao longo da costa sul do país, abrangendo a cidade portuária de Bandar Abbas e as ilhas de Kish e Qeshm, além da cidade de Jam, na província de Bushehr. Um projétil atingiu a parte oeste de Bandar Abbas, mas não causou vítimas, conforme informado por autoridades locais.

Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã lançou uma série de ataques retaliatórios contra interesses e aliados dos EUA na região do Golfo. Entre os alvos atingidos estavam navios petroleiros com bandeira dos Emirados Árabes Unidos (EAU) no Estreito de Hormuz, instalações militares americanas em Bahrein e Kuwait, além de outros pontos estratégicos.

Os Emirados Árabes Unidos confirmaram que dois de seus petroleiros foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos em águas próximas a Omã, no Estreito de Hormuz. Um membro da tripulação, cidadão indiano, morreu em um dos ataques, enquanto oito pessoas ficaram feridas. O IRGC também afirmou ter derrubado um drone americano próximo a Bandar Abbas e atingido dois superpetroleiros considerados "infratores".

No Kuwait, as forças iranianas realizaram ataques com drones contra alvos militares dos EUA, incluindo sistemas de mísseis Patriot, depósitos de combustível, torres de vigilância, depósitos de munição e sistemas de comunicação. Em Bahrein, o IRGC declarou ter atacado depósitos de armas, um centro de comunicações por satélite e instalações que abrigam forças americanas na base de al-Juffair, além de lançar mísseis e drones contra a Quinta Frota dos EUA estacionada no país. Sirenes de alerta aéreo foram ouvidas diversas vezes em Bahrein durante o dia.

Na Jordânia, o exército local informou ter interceptado quatro mísseis lançados do Irã. Posteriormente, o IRGC afirmou ter disparado mísseis balísticos contra forças americanas e instalações-chave em uma base aérea jordaniana. Em comunicado direcionado ao povo jordaniano, o IRGC ressaltou que suas ações visam exclusivamente a presença militar dos EUA e não o país ou sua população, destacando a solidariedade iraniana com a causa palestina e a condenação das ações israelenses em Gaza.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, notificou formalmente o Congresso sobre a retomada dos combates com o Irã a partir de 7 de julho, autorizando a manutenção das forças americanas em combate por mais 60 dias sem necessidade de aprovação legislativa. Em entrevista, Trump afirmou que as capacidades ofensivas do Irã estão sendo desmanteladas, mas manteve a possibilidade de um acordo diplomático. Ele também exigiu que os países do Golfo contribuam financeiramente para a proteção das rotas marítimas, alegando que os EUA protegem uma região economicamente valiosa e esperam compensação por isso.

Além disso, Trump ameaçou atacar o local conhecido como Kuh-e Kolang Gaz La, ou Pickaxe Mountain, suspeito de abrigar instalações nucleares próximas à usina de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do Irã. Paralelamente, a Marinha dos EUA confirmou a retomada do bloqueio naval ao Irã, que começou às 17h do horário de Brasília na terça-feira, abrangendo todos os portos e terminais iranianos ao longo da costa sul do país.

No parlamento iraniano, o chefe da Comissão de Segurança Nacional, Ebrahim Azizi, declarou que o Irã permanece firme na defesa de suas "linhas vermelhas", especialmente no que diz respeito à gestão do Estreito de Hormuz. Um projeto de lei denominado "Ação Estratégica para a Segurança e Progresso Sustentável do Estreito de Hormuz e do Golfo Pérsico" foi formalmente apresentado, reforçando a posição iraniana na região.

Os impactos dessa escalada já são visíveis no mercado global de petróleo, com o preço do barril de Brent subindo mais de 9% e atingindo cerca de 81 dólares, o maior valor desde meados de junho. A movimentação de navios pelo Estreito de Hormuz caiu aproximadamente 52% entre os dias 10 e 12 de julho em comparação com a semana anterior, segundo dados de empresas de rastreamento marítimo.

A continuidade dos ataques e contra-ataques entre Estados Unidos e Irã indica uma fase delicada e volátil na segurança do Golfo Pérsico, região crucial para o transporte mundial de petróleo. A possibilidade de um acordo diplomático permanece incerta, enquanto os dois lados mantêm posturas firmes e ações militares que podem ampliar o conflito.

Do ponto de vista estratégico, essa escalada pode afetar significativamente o comércio global de energia, elevando os preços e aumentando a volatilidade dos mercados. A redução do tráfego no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo, pode gerar impactos econômicos para países dependentes da energia da região. Além disso, o envolvimento direto de aliados dos EUA, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia, amplia o risco de um conflito regional mais amplo.

Os próximos passos provavelmente envolverão tentativas diplomáticas para evitar uma guerra aberta, mas a persistência das ações militares sugere que a situação pode se manter tensa por um período prolongado. A comunidade internacional deverá acompanhar de perto os desdobramentos, buscando meios para garantir a segurança das rotas marítimas e evitar uma crise energética global.