O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, participou da reunião dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 realizada em Asheville, Carolina do Norte. A presença russa no encontro, organizada pelos Estados Unidos, que detêm a presidência rotativa do grupo, gerou desconforto entre delegações europeias e controvérsia sobre o acesso da imprensa.
Siluanov manteve uma reunião bilateral com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que reiterou que os Estados Unidos não concederão alívio econômico à Rússia enquanto durar a invasão da Ucrânia iniciada em 2022. Apesar da participação russa, o ministro não apareceu na foto oficial do encontro, em respeito à posição de países europeus que optaram por não posar ao lado da delegação russa.
O ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, manifestou preocupação com o convite à Rússia, classificando o gesto como um sinal problemático. Ele também criticou a exclusão de jornalistas de importantes veículos americanos, como Bloomberg, Wall Street Journal e New York Times, do credenciamento para cobrir o evento. Klingbeil defendeu o direito da imprensa de reportar livremente sobre a cúpula.
Além da tensão gerada pela presença russa e pela restrição à imprensa, o encontro foi marcado por discussões sobre a guerra no Irã e suas consequências econômicas. O secretário Bessent buscou apoio para a "Operação Economic Outcast", um regime ampliado de sanções contra o Irã, afirmando que a economia iraniana poderia ser pressionada a colapsar caso seus parceiros comerciais restantes se unissem às sanções.
Outro ponto de atrito foi a recente deterioração nas negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá, que resultou na imposição mútua de tarifas e provocações diplomáticas. O ministro das Finanças canadense, Francois-Philippe Champagne, afirmou que o país permanece comprometido com o diálogo e a estabilidade econômica.
O encontro do G20 em Asheville ocorreu em um contexto de tensões geopolíticas e econômicas, com desafios envolvendo a guerra na Ucrânia, o conflito no Irã e disputas comerciais entre aliados próximos. A participação russa e as restrições à imprensa evidenciam divergências significativas dentro do grupo sobre como lidar com esses temas.
A reunião reforça a complexidade das relações internacionais atuais, onde interesses econômicos, pressões políticas e questões de segurança se entrelaçam, impactando a cooperação multilateral no G20.