Os Estados Unidos e o Irã estão próximos de firmar um acordo que prevê a reabertura do Estreito de Hormuz por 60 dias, período durante o qual o Irã poderá vender petróleo livremente e iniciar negociações para limitar seu programa nuclear. O acordo também inclui um compromisso verbal do Irã para discutir a entrega de seu estoque de urânio enriquecido, conforme informações de autoridades americanas.
Durante o prazo de 60 dias, o Estreito de Hormuz, uma passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, permanecerá aberto sem cobrança de pedágio, e o Irã se comprometerá a remover minas implantadas na região para garantir a livre circulação das embarcações. Em contrapartida, os EUA planejam suspender o bloqueio imposto aos portos iranianos e conceder algumas flexibilizações nas sanções, permitindo que o Irã comercialize seu petróleo.
O projeto de acordo também contempla compromissos do Irã para não buscar armas nucleares e iniciar negociações para suspender o enriquecimento de urânio e eliminar seu estoque de urânio altamente enriquecido. No entanto, o Irã teria oferecido apenas um compromisso verbal sobre o alcance das concessões, sem definir detalhes específicos, que deverão ser negociados posteriormente.
Fontes iranianas informaram que o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, teria orientado que o urânio quase apto para uso bélico não seja enviado para fora do país. Além disso, um representante iraniano afirmou que a questão nuclear não faz parte do acordo preliminar, ressaltando que a entrega do urânio enriquecido não foi acordada e será discutida nas negociações finais.
O estoque iraniano de urânio altamente enriquecido ultrapassa 400 quilos, quantidade que, segundo autoridades israelenses, seria suficiente para a fabricação de até 11 armas nucleares caso fosse enriquecido a níveis militares. Israel considera a remoção desse material essencial para evitar que o conflito iniciado em fevereiro seja considerado um fracasso.
Desde o início do conflito, Israel e os EUA têm realizado operações para desestabilizar o regime iraniano e eliminar suas capacidades nucleares e balísticas. O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones na região, além de ações de seus aliados no Iraque e no Líbano. Em retaliação, Israel efetuou bombardeios significativos no Líbano, principalmente contra o grupo Hezbollah.
O Irã bloqueou o Estreito de Hormuz, cobrando pedágio das embarcações e atacando algumas que tentaram atravessar, enquanto os EUA impuseram um bloqueio sobre navios e portos iranianos para impedir o comércio de petróleo. Essa paralisação afetou a economia global, dada a importância estratégica do estreito para o comércio mundial de energia.
Como parte do plano de cessar-fogo, os EUA também se comprometeriam a negociar a suspensão das sanções e o desbloqueio de fundos iranianos durante o período de 60 dias. A retirada das forças americanas mobilizadas na região dependeria da assinatura de um acordo final. Os termos seriam formalizados em um memorando de entendimento que também inclui o fim dos combates entre Israel e o Hezbollah.
Líderes regionais, como os da Arábia Saudita, Catar, Egito, Turquia, Paquistão e Emirados Árabes Unidos, manifestaram apoio ao plano durante uma conferência telefônica organizada pelos EUA. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif elogiou os esforços americanos para promover a paz e afirmou que seu país continuará atuando para facilitar as negociações.
Por sua vez, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu expressou preocupações sobre o acordo, especialmente em relação à suspensão dos combates com o Hezbollah, embora tenha sido assegurado que Israel manterá o direito de responder a qualquer rearmamento ou ataque do grupo.
O acordo representa um avanço significativo na tentativa de reduzir as tensões na região do Golfo Pérsico, com potencial para estabilizar o mercado global de petróleo e abrir caminho para negociações mais amplas sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, as divergências sobre o controle do urânio enriquecido indicam que o processo ainda enfrenta desafios importantes.
Caso o acordo seja implementado, a reabertura do Estreito de Hormuz poderá aliviar pressões econômicas globais causadas pela interrupção do tráfego marítimo. Além disso, a suspensão temporária das sanções pode incentivar o Irã a avançar nas negociações nucleares, embora a falta de um compromisso formal sobre a entrega do urânio enriquecido mantenha a incerteza sobre o desfecho final.
A continuidade do diálogo dependerá da capacidade das partes de superar desconfianças mútuas e de garantir mecanismos eficazes de verificação. O envolvimento de países da região e a supervisão internacional serão fundamentais para assegurar que o acordo contribua para a estabilidade e a segurança no Oriente Médio nos próximos meses.