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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Estados Unidos e Irã trocam ataques no Estreito de Hormuz após semanas

Estados Unidos e Irã trocaram ataques no Estreito de Hormuz após ação americana contra lançadores de foguetes na Ilha de Larak, elevando tensões na região estratégica.

Estados Unidos e Irã trocam ataques no Estreito de Hormuz após semanas

Nas últimas semanas, os Estados Unidos e o Irã protagonizaram uma troca de ataques que reacende as tensões na estratégica região do Estreito de Hormuz. A sequência de ações começou com um ataque americano contra lançadores de foguetes localizados na Ilha de Larak, uma área próxima ao porto iraniano de Bandar Abbas, essencial para o tráfego marítimo global.

O ataque dos EUA, o primeiro contra o Irã desde o final de julho, resultou na morte de duas pessoas e ferimentos em outras duas, conforme informado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã. O IRGC prometeu uma resposta rigorosa e punição aos responsáveis pela ação.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou que a operação foi limitada e precisa, direcionada contra forças responsáveis pela colocação de minas que representavam uma ameaça iminente na região do Estreito de Hormuz. Esta passagem marítima é crucial, pois antes do conflito atual, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial transitavam por ali.

Em retaliação, o Irã afirmou ter atacado bases militares americanas na Jordânia, com o exército jordaniano relatando a interceptação de oito mísseis durante a madrugada de segunda-feira. Além disso, a televisão estatal iraniana informou que drones iranianos teriam atingido uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos (EAU). No entanto, o Ministério da Defesa dos EAU negou que a Base Aérea de Al-Minhad tenha sido alvo, confirmando apenas a derrubada de um drone.

Este episódio marca a retomada dos ataques americanos contra o Irã desde que o presidente Donald Trump suspendeu uma campanha militar renovada no final de julho. A Ilha de Larak, localizada próxima à costa e ao porto de Bandar Abbas, está situada exatamente no Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de energia.

Desde o início do conflito em fevereiro, o Estreito de Hormuz tem sido praticamente fechado para o tráfego marítimo, provocando grandes oscilações nos preços do petróleo nos mercados internacionais. O Irã tem exigido que o tráfego de navios passe por inspeções na Ilha de Larak e tem imposto taxas elevadas, estimadas em cerca de 2 milhões de dólares para a passagem de cada embarcação.

A agência de notícias Tasnim, ligada ao IRGC, informou que o ataque à Ilha de Larak foi realizado por drones. Horas depois, o IRGC divulgou que revidou o ataque americano lançando mísseis balísticos contra as bases americanas King Hussein e Al-Azraq na Jordânia.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a ação militar dos EUA na Ilha de Larak, caracterizando os ataques às bases na Jordânia como legítima defesa. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o país não busca a guerra, mas que responderá de forma decisiva a qualquer agressão.

Após o ataque americano, o ex-presidente Donald Trump publicou vídeos aparentemente gerados por inteligência artificial em sua rede social, mostrando explosões em infraestruturas petrolíferas, incluindo um terminal importante na Ilha de Kharg, no Irã, que ele havia ameaçado atacar anteriormente.

O Estreito de Hormuz é uma passagem marítima estreita entre o Irã, os Emirados Árabes Unidos e Omã, com cerca de 33 quilômetros em seu ponto mais estreito. De acordo com as regras das Nações Unidas, os países exercem controle sobre suas águas territoriais até 12 milhas náuticas da costa, o que significa que o Estreito e suas rotas de navegação estão dentro das águas territoriais do Irã e de Omã.

O Irã tem disparado contra embarcações que tentam transitar sem permissão, enquanto os EUA afirmam que todas as minas colocadas pelo Irã no Estreito foram neutralizadas. O governo americano também avisou que destruirá qualquer navio que tente implantar novas minas na região.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou as declarações do presidente Trump sobre a remoção das minas como propaganda enganosa. O país enfrenta pressão econômica renovada após os Estados Unidos anunciarem novas sanções em 24 de agosto, ampliando medidas contra aliados de Teerã.

Autoridades iranianas e a mídia estatal minimizam a campanha de sanções, considerando-a uma continuação das medidas econômicas anteriores, que teriam sido motivadas pelo insucesso militar dos EUA no recente conflito.

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra o Irã, afetando significativamente a capacidade do país de exportar petróleo. Recentemente, o Centcom informou que desativou três embarcações, abordou duas e redirecionou 82 navios como parte dessa operação.

A escalada recente entre os dois países destaca a persistente volatilidade no Estreito de Hormuz, uma rota vital para o comércio mundial de energia. A continuidade das ações militares e econômicas pode intensificar a instabilidade regional e afetar os mercados globais de petróleo.

No cenário estratégico, a manutenção do bloqueio naval e as operações militares limitadas indicam que ambos os lados buscam controlar a passagem marítima sem desencadear um conflito aberto. A resposta iraniana com mísseis balísticos e o uso de drones demonstra a capacidade de retaliação rápida e a disposição de proteger seus interesses na região.

Para os próximos meses, é provável que as tensões se mantenham elevadas, com riscos de novos confrontos localizados. A comunidade internacional acompanha atentamente, pois qualquer escalada maior pode impactar significativamente o abastecimento energético global e a estabilidade política no Oriente Médio.