Os Estados Unidos formalizaram acusações contra hackers chineses, apontados como apoiados pelo Estado, por invasões a sistemas de agências governamentais e infraestruturas sensíveis. Entre os alvos estão a NASA, o Federal Reserve e diversas instituições essenciais ao funcionamento do país. As ações foram divulgadas poucos dias antes da visita prevista do presidente chinês Xi Jinping a Washington para negociações com o presidente americano Donald Trump.
O Departamento de Justiça e o FBI anunciaram a apreensão de três domínios de internet vinculados a duas plataformas de invasão cibernética, atribuídas a um grupo chinês identificado como QTFY. As autoridades americanas afirmam que as operações visaram órgãos como o Senado, ministérios diversos, hospitais, empresas de telecomunicações, companhias de energia, instituições financeiras e contratantes da defesa.
Washington classificou a campanha como uma atividade patrocinada pelo governo chinês, alegando que a organização responsável oferecia serviços de hacking para o Ministério da Segurança do Estado da China e para o Exército de Libertação Popular. Contudo, não foram divulgados detalhes sobre dados sensíveis que possam ter sido obtidos ou os danos causados por essas ações.
Em resposta, a embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, afirmando que a China combate todas as formas de ataques cibernéticos e pediu que os EUA parem de usar questões de segurança digital para difamar o país.
Este episódio ocorre pouco mais de um mês após o presidente Trump acusar a China de interferência nas eleições americanas, alegando que cerca de 220 milhões de registros eleitorais foram obtidos ilegalmente durante o ciclo eleitoral de 2020. A China negou veementemente essas alegações, classificando-as como infundadas e fabricadas. Mesmo dentro dos círculos de apoio a Trump, as afirmações foram recebidas com ceticismo, uma vez que os documentos divulgados indicavam apenas interesse chinês em dados públicos ou comercialmente disponíveis.
Trump, por sua vez, reconheceu publicamente que os EUA também realizam operações de espionagem contra a China. Após encontro com Xi Jinping em Pequim, em maio, afirmou que os dois países praticam espionagem mútua, descrevendo a situação como uma "espada de dois gumes".
Por sua vez, a China também acusa os EUA de espionagem, mencionando uma suposta campanha da NSA contra o Centro Nacional de Serviços de Tempo da China, que impactaria setores estratégicos como finanças, energia, transporte e defesa. A NSA não confirmou nem negou tais alegações.
A retomada das acusações cibernéticas ocorre em um momento delicado, com a visita de Xi Jinping agendada para 24 de setembro, na qual as duas potências buscarão negociar temas como comércio, tecnologia, segurança cibernética e sanções relacionadas ao Irã.
Essas tensões revelam a complexidade da relação sino-americana, marcada por cooperação e competição simultâneas. A continuidade dessas acusações pode dificultar o avanço em negociações bilaterais, especialmente em áreas sensíveis como segurança digital e comércio tecnológico. A vigilância mútua e as operações cibernéticas refletem a crescente importância da guerra digital como campo de disputa entre grandes potências.
No cenário estratégico, a escalada de denúncias pode levar a um endurecimento das políticas de segurança cibernética e a maior investimento em defesa digital por ambos os países. A visita de Xi Jinping será um teste importante para medir a capacidade de diálogo e contenção dessas disputas, com possíveis impactos diretos em acordos comerciais e na estabilidade das relações internacionais entre EUA e China.