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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA acusam grupo de direitos civis de fraudar doadores com pagamentos a informantes extremistas

O Southern Poverty Law Center foi acusado pelo governo dos EUA de fraudar doadores ao usar recursos para pagar líderes de grupos extremistas, incluindo o Ku Klux Klan. A denúncia aponta que mais de US$ 3 milhões foram destinados a informantes em um programa secreto para infiltrar organizações supremacistas. O SPLC nega as acusações e afirma que o programa salvou vidas. O caso levanta debates sobre transparência e pol

EUA acusam grupo de direitos civis de fraudar doadores com pagamentos a informantes extremistas

O Southern Poverty Law Center (SPLC), organização voltada à defesa dos direitos civis, foi formalmente acusado nesta terça-feira por autoridades federais dos Estados Unidos de fraudar doadores ao utilizar recursos para pagar líderes do Ku Klux Klan e outros grupos de ódio, em um esquema secreto para obter informações internas. A denúncia foi anunciada pelo procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, durante uma coletiva em Washington.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o SPLC teria arrecadado milhões de dólares de forma irregular, desviando parte dos fundos para financiar o extremismo que afirmava combater. Mais de três milhões de dólares teriam sido repassados a informantes por meio de um programa extinto que visava infiltrar organizações supremacistas brancas e outros grupos extremistas.

As autoridades federais afirmam que parte desse dinheiro pode ter sido usada por esses extremistas para a realização de crimes, embora os documentos judiciais não apresentem exemplos específicos. O procurador-geral interino declarou que o SPLC não estava desmantelando esses grupos, mas sim fomentando o extremismo ao pagar fontes para alimentar o ódio racial.

O processo judicial, apresentado no tribunal federal do Alabama, onde o SPLC está sediado, inclui acusações de fraude eletrônica, fraude bancária e conspiração para lavagem de dinheiro. A denúncia detalha a criação de contas bancárias sob nomes fictícios, como “Fox Photography” e “Rare Books Warehouse”, utilizadas para ocultar a verdadeira finalidade dos recursos enviados pelos doadores.

O SPLC informou que o programa de informantes, que remonta à década de 1980, foi utilizado para monitorar ameaças de violência e que as informações coletadas eram frequentemente compartilhadas com autoridades locais e federais. A organização afirmou que manter o programa em sigilo era necessário para proteger a segurança dos informantes.

Segundo o documento judicial, pelo menos nove informantes não identificados receberam pagamentos através desse esquema. Um deles, vinculado à organização neonazista National Alliance, teria recebido mais de um milhão de dólares entre 2014 e 2023. Outro informante, participante do grupo de liderança online que planejou o comício nacionalista branco "Unite the Right" em Charlottesville, Virgínia, em 2017, teria sido pago em torno de 270 mil dólares no mesmo período.

O SPLC defendeu-se, afirmando que as acusações são falsas e que o programa salvou vidas ao combater grupos violentos de ódio. O presidente interino da organização, Bryan Fair, ressaltou a importância do trabalho realizado e afirmou que as ações do Departamento de Justiça não abalarão seu compromisso com a justiça e os direitos civis.

A entidade, fundada em 1971 e sediada em Montgomery, Alabama, tem sido alvo frequente de críticas por parte de políticos conservadores, que a acusam de parcialidade e de rotular injustamente grupos de direita como extremistas. A controvérsia aumentou após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk em 2025, cujo grupo, Turning Point USA, foi incluído pelo SPLC em um relatório sobre extremismo de direita.

O diretor do FBI, Kash Patel, anunciou no ano passado o fim da parceria da agência com o SPLC, criticando a organização por transformar-se em uma "máquina de difamação partidária" e por rotular injustamente grupos considerados mainstream como extremistas.

Essa investigação ocorre em um contexto de crescente tensão política nos EUA, onde o uso do Departamento de Justiça para fins políticos tem sido objeto de debate. A acusação contra o SPLC pode intensificar essas preocupações, especialmente entre apoiadores do ex-presidente Donald Trump, que veem a ação como parte de uma estratégia para enfraquecer adversários conservadores.

Análise estratégica: A acusação contra o SPLC pode ter impactos significativos no campo da segurança interna e na dinâmica política dos EUA. Se comprovadas, as irregularidades apontadas podem comprometer a credibilidade de organizações dedicadas ao monitoramento de grupos extremistas, dificultando a cooperação entre entidades civis e agências governamentais. Além disso, o caso pode alimentar narrativas de perseguição política, aprofundando a polarização e influenciando futuras políticas de combate ao extremismo.

No cenário imediato, espera-se que o SPLC intensifique sua defesa jurídica e busque preservar sua reputação pública. As autoridades federais provavelmente continuarão investigando o uso dos recursos e o impacto das operações secretas, enquanto o Congresso poderá promover audiências para avaliar a atuação da organização e do Departamento de Justiça. A situação também pode influenciar o debate sobre transparência e responsabilidade em organizações sem fins lucrativos que atuam em áreas sensíveis como direitos civis e segurança nacional.