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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA acusam suposta rede russa de planejar ataque contra dissidente em Washington

A acusação dos EUA descreve uma suposta rede ligada à inteligência russa que teria buscado intermediários para vigiar e matar um dissidente em Washington. Os cinco réus permaneciam foragidos quando as acusações foram anunciadas, em 15 de setembro de 2026, e a ligação com estruturas russas ainda será testada na Justiça.

EUA acusam suposta rede russa de planejar ataque contra dissidente em Washington

Os Estados Unidos abriram uma acusação federal contra cinco pessoas que, segundo a promotoria, integravam uma rede ligada aos serviços de inteligência russos e tentaram organizar a vigilância e o assassinato de um dissidente russo em Washington. O caso amplia a tensão entre a denúncia de uma operação clandestina em território americano e um limite decisivo: a ligação da rede com estruturas russas ainda é uma alegação criminal, não uma conclusão judicial.

As acusações, anunciadas em 15 de setembro, incluem conspiração para financiar terrorismo. Três dos cinco réus também foram acusados de conspiração para cometer homicídio por encomenda. Yuri Khrameev, Kirill Khrameev, Oemis Romagoza Durruthy, Yaidel Delgado Suarez e Angel Eduardo Castro permaneciam foragidos quando o Departamento de Justiça tornou o processo público.

A denúncia descreve um método baseado em intermediários, que teria reduzido a exposição direta dos supostos mandantes. Segundo a promotoria, Suarez e Castro recrutaram pessoas nos Estados Unidos para levantar informações sobre o alvo, identificado apenas como Victim-1. Um residente venezuelano no Brooklyn teria aceitado fotografar e filmar dois locais ligados ao dissidente em Washington por entre US$ 1.000 e US$ 1.500, mas recusado US$ 40 mil para matá-lo ou fazê-lo desaparecer.

Se comprovado, esse desenho importa menos pelo valor das ofertas do que pela divisão de tarefas: quem define o alvo, quem organiza a logística e quem procura executores podem estar em países e camadas diferentes. A acusação atribui ainda a Suarez a afirmação de que tinha pessoas no México para realizar o assassinato, embora estivessem atrasadas, e relata novas tentativas de recrutamento nos EUA.

O processo não se limita a Washington. A promotoria sustenta que Kirill e Yuri Khrameev ofereceram pagamento para vigiar e assassinar um dissidente na Lituânia e que, após uma recusa, Yuri sugeriu ataques incendiários ou contra uma subestação elétrica. Também acusa Romagoza Durruthy de coordenar logística para ataques em Praga e na Lituânia em 2024 e de obter, em 2025, material ligado à residência de Victim-1. Esses episódios, se demonstrados, apontariam para uma rede capaz de alternar entre alvos individuais e infraestrutura, além de atuar em diferentes países.

O FBI e o Departamento de Justiça afirmaram ter interrompido a operação, sem divulgar como isso ocorreu. A acusação, portanto, expõe uma ameaça alegada e uma resposta investigativa americana, mas não registra um assassinato consumado. Tampouco identifica publicamente o dissidente visado em Washington.

A dimensão geopolítica do caso está na acusação de que a rede trabalhava para os serviços de inteligência da Federação Russa. A promotoria identifica Yuri Khrameev como ex-coronel de serviços de inteligência russos e Kirill Khrameev como oficial do FSB, qualificações que também precisam ser examinadas no processo. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que Moscou não via necessidade de comentar sem evidências tangíveis e argumentos razoáveis.

A denúncia transforma uma suspeita de segurança em disputa formal entre Estados, mas a força dessa transformação dependerá das provas que os EUA apresentarem sobre comando, financiamento e comunicação entre os acusados e as estruturas russas alegadas. Até lá, os réus continuam presumidos inocentes, e o caso é uma acusação de conspiração, não uma sentença sobre uma operação russa comprovada.

Crédito da imagem: Ken Lund from Reno, Nevada, USA / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).