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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA anunciam revisão militar na Europa após críticas à postura da OTAN

Secretário de Guerra dos EUA anuncia revisão da presença militar na Europa após críticas à OTAN por restrições em bases e espaço aéreo durante operações contra o Irã.

EUA anunciam revisão militar na Europa após críticas à postura da OTAN

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou durante uma reunião ministerial da OTAN em Bruxelas que os países europeus membros da aliança têm colocado em risco a segurança dos militares americanos. Ele anunciou uma revisão de seis meses sobre a presença militar dos EUA na Europa, ressaltando que futuras decisões sobre o posicionamento de tropas, financiamento e bases dependerão do cumprimento das exigências feitas por Washington aos seus aliados.

Durante seu discurso, Hegseth criticou duramente a falta de acesso previsível às bases e ao espaço aéreo europeu durante a campanha militar americana contra o Irã. Ele qualificou a situação como "vergonhosa" e afirmou que esses aliados colocaram em risco a vida dos soldados americanos, sem apresentar justificativas aceitáveis para tal comportamento.

Essas declarações ocorrem em um momento em que os Estados Unidos já estão reduzindo o contingente e os recursos destinados às operações da OTAN na Europa. Entre os cortes estão um terço dos caças e bombardeiros de longo alcance prometidos, além de aeronaves de reabastecimento aéreo, aviões de vigilância marítima e importantes ativos navais que faziam parte dos planos de contingência da aliança.

Hegseth destacou que a revisão do Departamento de Guerra avaliará a postura e as bases militares americanas no continente europeu, enfatizando que países que não aumentarem seus gastos com urgência poderão ter sua contribuição financeira reduzida.

A crítica do secretário norte-americano ocorreu na primeira reunião ministerial da OTAN com a participação do novo secretário de Defesa britânico, Dan Jarvis, que substituiu John Healey após divergências com o primeiro-ministro Keir Starmer sobre o orçamento militar. O Reino Unido se comprometeu a alcançar a meta de 5% do PIB em gastos com defesa até 2035, incluindo 3,5% em despesas militares diretas, mas Jarvis não anunciou novos compromissos financeiros durante o encontro.

Historicamente, o ex-presidente Donald Trump já havia criticado os membros europeus da OTAN por não investirem o suficiente em sua própria defesa, apesar de terem destinado bilhões para armar a Ucrânia no conflito contra a Rússia. Muitos desses governos justificam o aumento dos gastos militares citando a ameaça de um possível ataque russo.

O desentendimento se intensificou em relação ao Irã, quando vários países da OTAN, como França, Espanha e Itália, restringiram o acesso de aeronaves americanas às suas bases e espaço aéreo para operações de bombardeio. Embora o Reino Unido tenha permitido que os EUA lançassem ataques a partir da base RAF Fairford, Hegseth também criticou Londres por essa postura.

Ele afirmou que não é possível que outros países controlem o que pode ou não voar em suas bases, mencionando discussões posteriores com Jarvis sobre o tema e citando a base de Diego Garcia como exemplo. O secretário americano qualificou a OTAN como um "tigre de papel e uma via de mão única" após o fim da Guerra Fria, acusando a aliança de se afastar do poder militar real em direção à desindustrialização, desmilitarização e dependência dos EUA.

Segundo Hegseth, a intenção é transformar a OTAN em uma versão "3.0", onde a Europa assumiria a liderança em sua defesa convencional enquanto os Estados Unidos se concentrariam em prioridades globais. Essa mudança estratégica pretende reforçar a capacidade militar europeia e equilibrar a responsabilidade dentro da aliança.

A situação atual reflete uma crescente pressão dos EUA para que os países europeus aumentem seus investimentos em defesa e facilitem o acesso às suas infraestruturas militares. Caso contrário, Washington poderá reavaliar seu comprometimento e reduzir sua presença, o que pode impactar a capacidade de resposta da OTAN em crises futuras.

Essa revisão pode levar a uma reconfiguração das bases militares americanas na Europa e influenciar as negociações sobre os custos compartilhados dentro da aliança. Além disso, a postura dos países europeus diante das operações militares em zonas de conflito, como no Irã, poderá ser um fator determinante para o futuro da cooperação transatlântica em matéria de segurança.

Em termos estratégicos, a pressão dos EUA visa estimular os aliados europeus a assumirem maior responsabilidade pela própria defesa, o que pode fortalecer a capacidade militar da OTAN a longo prazo. No entanto, a redução dos recursos americanos pode criar lacunas temporárias na prontidão operacional da aliança, exigindo ajustes nos planos de contingência e na distribuição de forças.

O cenário também indica a possibilidade de um reposicionamento das prioridades dos EUA, que podem direcionar seus recursos para outras regiões consideradas estratégicas, enquanto a Europa se torna mais autônoma em sua defesa convencional. Essa mudança pode alterar o equilíbrio de poder dentro da OTAN e influenciar a dinâmica das relações transatlânticas nos próximos anos.