O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu o grupo britânico Palestine Action em sua lista de Organizações Terroristas Globais Designadas, uma medida que representa a primeira vez que uma organização de esquerda do Reino Unido recebe sanções antiterrorismo dos EUA. A decisão foi anunciada em 26 de agosto de 2026 e implica o congelamento de quaisquer ativos financeiros do grupo em solo americano, além da possibilidade de restrição de entrada no país para seus membros.
Fundado em 2020 no Reino Unido, o Palestine Action tem como objetivo declarado o combate à participação global no que descreve como o regime genocida e de apartheid de Israel. Suas ações incluem ataques contra aeronaves militares britânicas e fábricas relacionadas à Elbit Systems, uma empresa israelense de armamentos. Em julho de 2025, o governo britânico já havia classificado o grupo como organização terrorista, resultando na condenação de quatro membros por danos criminais a instalações da Elbit Systems. Mais de 3.500 apoiadores foram detidos, com 480 acusados por crimes relacionados ao terrorismo.
A inclusão do Palestine Action na lista americana acompanha a sanção de outras duas organizações de esquerda: o movimento revolucionário palestino Masar Badil, supostamente vinculado à Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), e o grupo italiano Autistici Inventati, descrito como fornecedor de infraestrutura digital para células Antifa e outros extremistas de esquerda.
O Departamento do Tesouro justificou a medida afirmando que o objetivo é combater a ameaça crescente representada por grupos terroristas violentos de esquerda, que têm adotado a violência organizada e letal em escala global. A ação americana complementa a proibição britânica, destacando que o Palestine Action foi sancionado por fornecer apoio material, financeiro ou tecnológico a atos terroristas.
Em resposta, a cofundadora do Palestine Action, Huda Ammori, declarou que as atividades do grupo buscam interromper a "máquina de guerra israelense", a qual acusa de cometer genocídio em Gaza com apoio dos EUA. Ammori também criticou o ex-presidente americano Donald Trump, responsabilizando-o por facilitar ações do governo israelense.
A estratégia antiterrorismo dos EUA para 2026 identifica extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas, como uma das principais ameaças terroristas ao país, ao lado de cartéis de drogas transnacionais e terroristas islâmicos. Em 2025, o Departamento de Estado americano já havia designado quatro grupos europeus Antifa como organizações terroristas, incluindo um grupo alemão envolvido em ataques violentos em Budapeste.
A inclusão do Palestine Action na lista americana pode intensificar a cooperação entre os EUA e o Reino Unido no combate a grupos considerados terroristas, reforçando as medidas legais e de segurança contra organizações de esquerda que adotam ações violentas. Essa decisão também sinaliza uma ampliação do foco americano para além das ameaças tradicionais, incluindo grupos de extrema esquerda em sua estratégia antiterrorismo.
A longo prazo, essa designação pode restringir significativamente as operações financeiras e logísticas do Palestine Action, dificultando sua atuação internacional. Além disso, o reconhecimento oficial como organização terrorista pode influenciar outros países a adotarem medidas semelhantes, ampliando o isolamento do grupo. No entanto, a resposta dos apoiadores e a capacidade do grupo de se adaptar a essas restrições ainda são variáveis que podem afetar a eficácia das sanções.
Em termos estratégicos, a ampliação da lista de organizações terroristas para incluir grupos de esquerda reflete uma mudança no cenário global de segurança, onde ameaças multifacetadas exigem respostas diversificadas. A cooperação transatlântica entre EUA e Reino Unido nesse contexto pode fortalecer a vigilância e a repressão a atividades consideradas extremistas, mas também pode gerar debates sobre os critérios e os impactos dessas designações no campo dos direitos civis e das liberdades políticas.