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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA encerram missão contra o ISIS no Iraque; curdos temem mísseis do Irã

A saída americana de Erbil cumpre uma transição acertada em 2024. Mas autoridades curdas dizem enfrentar hoje um perigo que o apoio prometido contra remanescentes do ISIS não resolve por si só: ataques com mísseis.

EUA encerram missão contra o ISIS no Iraque; curdos temem mísseis do Irã

Em 30 de setembro, forças e equipamentos americanos deixaram a base aérea de Erbil, no norte do Iraque. O Comando Central dos Estados Unidos anunciou, com isso, o fim da missão Operation Inherent Resolve no país. Para autoridades curdas, a saída ocorre num momento em que a ameaça mais urgente pode vir pelo céu.

O Ministério curdo de Assuntos dos Peshmerga considera “profundamente preocupante” a retirada sem a instalação de outro sistema de defesa aérea. Segundo o ministério, o Irã disparou mil mísseis balísticos contra seu território desde o fim de fevereiro. A cifra é uma alegação das autoridades curdas, não uma contagem independente de impactos.

A transição não foi decidida às pressas: Washington e Bagdá haviam chegado a um acordo sobre ela em 2024. O que chama a atenção agora é a diferença entre a missão que termina e a proteção que os curdos dizem precisar. A operação americana foi montada para combater o ISIS; a preocupação expressa pelos Peshmerga é como enfrentar mísseis.

Donald Trump apresentou o encerramento como uma vitória e disse que o ISIS foi “completamente dizimado”. O Pentágono, por sua vez, espera que forças iraquianas e curdas mantenham os remanescentes do grupo contidos. Também anunciou que continuará a oferecer treinamento direcionado e apoio de inteligência a parceiros iraquianos.

Esse apoio pode ajudar forças locais a identificar e perseguir combatentes. Defender uma cidade de um míssil balístico exige outra resposta: perceber o ataque a tempo e dispor de meios para tentar interceptá-lo. Treinamento e inteligência contra o ISIS, por si sós, não colocam uma defesa aérea em Erbil. É a ausência de uma alternativa desse tipo que preocupa as autoridades curdas.

O fim da operação no Iraque também não encerra a campanha americana contra o ISIS na região. A força-tarefa continua ativa, agora sediada na Jordânia, e mantém sua missão na Síria. O anúncio delimita, portanto, onde a missão terminou; não uma retirada dos EUA de toda a campanha regional.

Há ainda relatos divergentes sobre a presença americana remanescente no próprio Iraque. A Associated Press descreve a retirada de todas as tropas; a NBC News afirma que um contingente menor ficaria para proteger diplomatas. O comunicado do Comando Central confirma a saída da base de Erbil, mas não esclarece especificamente esse ponto.

Para os curdos, a distinção imediata está entre dois tipos de segurança. Washington diz que ajudará parceiros iraquianos a conter o que resta do ISIS. A preocupação apresentada em Erbil é outra: quem terá os meios para deter um míssil antes que ele atinja o território?