Os Estados Unidos encerraram o programa de sanções criado durante a guerra no norte da Etiópia. Em 18 de setembro, expirou a emergência nacional estabelecida pelo Decreto Executivo 14046, de 2021, e o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro, o OFAC, retirou da lista de sanções as designações feitas sob esse regime.
A medida alcança as Forças de Defesa da Eritreia, o partido governante People’s Front for Democracy and Justice, a Red Sea Trading Corporation, a Hidri Trust e alguns indivíduos. Na prática, Washington desmontou o instrumento jurídico usado para pressionar atores ligados à Eritreia no contexto do conflito de Tigré.
O encerramento tem peso político porque as sanções nasceram em meio à crise humanitária e de direitos humanos associada à guerra. As forças eritreias apoiaram o Exército Federal etíope e foram acusadas de abusos graves. O acordo de cessação das hostilidades de novembro de 2022 encerrou formalmente a guerra, mas o Departamento de Estado afirma que sua implementação foi desigual.
A justificativa pública de Washington aponta menos para uma celebração do resultado do acordo e mais para uma recalibração de interesses. Um porta-voz do Departamento de Estado disse que os EUA pretendem adaptar sua política às condições atuais, engajar Etiópia e Eritreia e promover interesses americanos. Isso sugere uma troca de instrumento: em vez de manter um regime extraordinário vinculado à guerra, Washington passa a buscar margem para contato político com os dois países.
Essa mudança não equivale a uma normalização bilateral, nem apaga as acusações que motivaram as designações. A expiração do decreto não foi acompanhada de anúncio de acordo político amplo ou de absolvição dos atores eritreus. Tampouco significa que todas as restrições americanas sobre a Eritreia tenham sido removidas, pois permanecem outras limitações e avaliações negativas da política dos Estados Unidos.
Para Asmara, a retirada das designações representa um ganho político imediato. O ministro da Informação, Yemane Gebremeskel, afirmou que as sanções causaram danos incalculáveis e saudou a decisão. Para Washington, o passo fecha um capítulo específico da resposta à guerra etíope, mas preserva a possibilidade de manter pressão por outros meios. A principal consequência, portanto, é a redução de um obstáculo formal ao engajamento, não a resolução das tensões entre os dois países.