O governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente a inclusão da Irmandade Muçulmana do Sudão na lista de organizações terroristas estrangeiras, ampliando sua política de repressão contra o grupo. A decisão foi comunicada pelo Departamento de Estado em 9 de março de 2026, com vigência a partir de 16 de março. Segundo a administração americana, a Irmandade Muçulmana sudanesa recebe apoio direto do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
A designação do grupo como "terrorista global especialmente designado" (SDGT) permite a imposição de sanções econômicas, enquanto a classificação como "organização terrorista estrangeira" (FTO) torna ilegal qualquer tipo de apoio material à entidade. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a organização utiliza violência indiscriminada contra civis, com o objetivo de desestabilizar o Sudão e promover uma agenda islamista radical.
O conflito interno no Sudão envolve a luta entre as forças militares regulares e a milícia das Forças de Apoio Rápido (RSF), que também enfrenta acusações de graves violações de direitos humanos. O Departamento de Estado americano atribui a combatentes da Irmandade Muçulmana a realização de execuções em massa de civis, enquanto a RSF alega combater os membros da Irmandade.
Em resposta à decisão dos EUA, os Emirados Árabes Unidos manifestaram apoio à medida, destacando que ela reflete esforços contínuos para conter a violência excessiva contra civis e as ações desestabilizadoras atribuídas à Irmandade Muçulmana no Sudão. Em janeiro de 2026, a administração Trump já havia incluído afiliados da Irmandade Muçulmana no Líbano, Jordânia e Sudão em sua lista negra, iniciativa que foi rejeitada pelos grupos afetados.
Fundada em 1928 pelo estudioso egípcio Hassan al-Banna, a Irmandade Muçulmana possui ramificações em diversos países do Oriente Médio, incluindo partidos políticos e organizações sociais. Embora o grupo afirme buscar participação política pacífica, em países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, setores conservadores têm historicamente associado a organização a atividades terroristas e à radicalização de comunidades muçulmanas.
A decisão americana ocorre em um contexto de crescente tensão regional, onde o envolvimento do Irã e de seus aliados em conflitos locais é motivo de preocupação para Washington e seus aliados. A designação oficial pode resultar em aumento das sanções econômicas e restrições diplomáticas, além de dificultar o financiamento e a mobilização do grupo.
Do ponto de vista estratégico, a inclusão da Irmandade Muçulmana do Sudão na lista de organizações terroristas pode intensificar a polarização interna no país, dificultando negociações de paz e o estabelecimento de um governo estável. A medida também sinaliza um endurecimento da política externa americana na região, com foco em conter a influência iraniana e limitar grupos considerados extremistas.
Para o futuro próximo, é provável que os Estados Unidos aumentem a pressão sobre atores regionais que apoiam a Irmandade Muçulmana, buscando isolar o grupo e reduzir sua capacidade operacional. No entanto, a complexidade do conflito sudanês e a presença de múltiplos atores armados indicam que a situação permanece volátil, com riscos de escalada de violência e impacto humanitário significativo.