Os Estados Unidos estão organizando a criação de um estoque permanente de armamentos prontos para uso imediato destinado ao Corpo de Fuzileiros Navais na Austrália. Essa iniciativa, confirmada por documentos oficiais e fontes governamentais, visa fortalecer a presença militar americana na região do Indo-Pacífico. O projeto prevê a construção de depósitos e escritórios em uma base militar localizada em Bandiana, no estado de Victoria, no sudoeste australiano. O investimento inicial para essa infraestrutura está estimado em cerca de 30 milhões de dólares.
Os armamentos serão inicialmente armazenados em Melbourne, antes de serem transferidos para a base em Victoria, com a expectativa de que o estoque atinja sua capacidade plena até 2028. A gestão do depósito ficará a cargo de aproximadamente 110 profissionais, incluindo engenheiros, mecânicos e especialistas em segurança, contratados por uma empresa global de defesa. Essa medida é necessária porque a legislação australiana proíbe a presença de tropas estrangeiras em bases militares no país, impedindo que militares americanos realizem essa função diretamente.
O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA declarou que suas operações na Austrália têm como objetivo apoiar a manutenção integrada de equipamentos e suprimentos prontos para uso em operações e exercícios na região do Indo-Pacífico. Além disso, o Pentágono solicitou ao Congresso dos EUA um orçamento de 500 milhões de dólares para 2027, destinado à distribuição de equipamentos e combustíveis em pontos estratégicos da Ásia-Pacífico, com o intuito de dissuadir possíveis ações da China.
Paralelamente, está prevista a inauguração do primeiro estoque americano na região nas Filipinas ainda este ano, ampliando a rede logística militar dos EUA no Pacífico. Essa expansão ocorre em meio a preocupações crescentes sobre a capacidade da China de atingir áreas do norte da Austrália a partir de suas bases no Mar do Sul da China, conforme alertado por um instituto de pesquisa australiano. Contudo, as instalações planejadas em Victoria foram estrategicamente posicionadas fora do alcance dos mísseis balísticos chineses.
O governo chinês rejeita as acusações de ameaça, afirmando que o desenvolvimento militar do país tem caráter defensivo e que não há planos para atacar outras nações. A China também critica a cooperação militar entre Washington e Canberra, classificando-a como uma postura de mentalidade da Guerra Fria que prejudica a segurança regional.
Além disso, em maio, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergey Shoigu, expressou preocupação com a possibilidade de armas nucleares americanas serem instaladas na Coreia do Sul, Japão e potencialmente na Austrália, devido à participação deste último no pacto AUKUS. Esse acordo trilateral entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, firmado em 2021, tem como foco a produção de submarinos movidos a energia nuclear para a marinha australiana.
A movimentação dos EUA para estabelecer estoques permanentes de armamentos na Austrália representa um reforço significativo da presença militar americana no Indo-Pacífico, refletindo a crescente importância estratégica da região. Essa iniciativa pode intensificar a competição geopolítica local, especialmente com a China, que percebe tais ações como uma ameaça direta à sua influência e segurança.
Do ponto de vista estratégico, a criação desses depósitos não só amplia a capacidade logística e operacional dos EUA na região, como também fortalece a cooperação militar com a Austrália, consolidando a aliança bilateral. No entanto, essa movimentação pode provocar respostas diplomáticas e militares de países rivais, elevando o nível de tensão e exigindo monitoramento constante das dinâmicas regionais. O desenvolvimento dessa infraestrutura também indica que os EUA estão se preparando para um envolvimento prolongado e mais robusto no Indo-Pacífico, o que pode influenciar futuras negociações e alinhamentos estratégicos na área.