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domingo, 04 de janeiro de 2026
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EUA planejam usar ativos iranianos congelados para reparos em infraestrutura no Golfo

EUA avaliam liberar ativos iranianos congelados para reparar infraestruturas danificadas em países do Golfo após ataques retaliatórios, buscando avançar nas negociações com Teerã.

EUA planejam usar ativos iranianos congelados para reparos em infraestrutura no Golfo

O governo dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de utilizar ativos financeiros iranianos congelados para financiar a reconstrução de infraestruturas danificadas em países do Golfo que abrigam bases militares americanas. A medida visa reparar os danos causados por ataques retaliatórios do Irã em resposta a ações militares lideradas pelos EUA e seus aliados na região.

Segundo informações divulgadas, o Departamento do Tesouro dos EUA pretende empregar todas as autoridades disponíveis para liberar esses fundos, direcionando-os para a recuperação de instalações energéticas e outras infraestruturas afetadas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, teria solicitado uma avaliação detalhada dos danos sofridos pelos aliados americanos no Golfo desde o início do conflito, incluindo estimativas abrangentes para subsidiar a decisão.

Além disso, há a possibilidade de que os recursos congelados sejam usados para compensar danos anteriores atribuídos a grupos apoiados pelo Irã. Essa iniciativa ocorre em meio a negociações indiretas entre Washington e Teerã, que estão paralisadas devido à exigência iraniana de acesso aos fundos congelados como condição para um acordo de paz duradouro.

Autoridades iranianas têm declarado que a liberação de cerca de 24 bilhões de dólares em ativos congelados é fundamental para avançar nas negociações. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, indicou que pelo menos 12 bilhões de dólares devem ser liberados imediatamente após a assinatura de qualquer memorando de entendimento, com o restante sendo disponibilizado em um período máximo de dois meses.

Desde o início das hostilidades, em fevereiro de 2026, os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã têm evitado, em grande parte, alvos diretos nas infraestruturas de petróleo e gás. No entanto, em março, Israel atingiu o maior campo de gás natural do Irã, reduzindo significativamente sua produção. Em resposta, o Irã declarou que as instalações energéticas nos países do Golfo que hospedam forças americanas se tornaram alvos legítimos.

Como resultado, instalações em Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein sofreram danos em ataques mútuos, até que um cessar-fogo mediado pelo Paquistão entrou em vigor em abril. Durante as negociações em Islamabad, os EUA teriam prometido desbloquear parte dos ativos iranianos para incentivar Teerã a retornar à mesa de diálogo, embora oficialmente tenham rejeitado a exigência iraniana.

O presidente Donald Trump tem criticado duramente a administração anterior por supostamente enviar bilhões de dólares ao Irã em dinheiro físico durante o acordo nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram unilateralmente. A liberação controlada desses ativos congelados pode ser uma ferramenta estratégica para facilitar negociações futuras e estabilizar a região.

A utilização dos fundos iranianos congelados para reparos na infraestrutura do Golfo representa uma abordagem pragmática dos EUA para mitigar os impactos do conflito e manter a estabilidade dos aliados na região. Caso essa estratégia seja implementada, poderá influenciar positivamente as negociações indiretas com o Irã, abrindo caminho para possíveis acordos que envolvam questões financeiras e de segurança.

No entanto, o sucesso dessa iniciativa dependerá da capacidade dos EUA e do Irã de superar desconfianças mútuas e estabelecer mecanismos claros para a liberação e uso dos ativos. A continuidade do cessar-fogo e a prevenção de novas escaladas na região também serão fatores cruciais para que os recursos possam ser efetivamente aplicados na reconstrução das infraestruturas danificadas.

Em termos estratégicos, a movimentação dos EUA para usar ativos congelados iranianos pode ser vista como uma tentativa de exercer pressão econômica e política sobre Teerã, ao mesmo tempo em que oferece um incentivo para a cooperação. Para os países do Golfo, essa ação pode significar uma recuperação mais rápida dos danos sofridos, fortalecendo sua capacidade de resistir a futuras tensões.

A evolução desse processo deve ser acompanhada de perto, pois poderá redefinir as dinâmicas de poder na região do Golfo e impactar as relações entre Estados Unidos, Irã e seus respectivos aliados. O equilíbrio entre sanções, negociações e ações militares continuará a ser um elemento determinante para a estabilidade geopolítica local e global.